Diversidade
Alzheimer e a perda da memória social: pacientes podem esquecer pessoas próximas
Estruturas cerebrais chamadas redes perineuronais podem explicar por que pacientes deixam de reconhecer pessoas próximas
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Além da perda de memória tradicional, o Alzheimer também pode afetar a capacidade de reconhecer pessoas próximas, um dos sintomas mais angustiantes para familiares. Especialistas afirmam que isso está relacionado à degradação de redes perineuronais (PNN), estruturas que protegem neurônios essenciais para a memória social.
Em experimentos com camundongos que reproduzem características da doença, os cientistas observaram que essas redes começam a se romper em regiões do hipocampo responsáveis pelo reconhecimento social, o que leva os animais a não diferenciar conhecidos de estranhos. A degradação das PNN está associada ao aumento de enzimas chamadas metaloproteinases de matriz (MMPs), que destroem essas estruturas protetoras.
Quando essas enzimas foram inibidas, os animais mantiveram as redes intactas e a memória social foi preservada, apontando para uma nova linha de tratamento que não depende apenas de combater placas de beta-amiloide ou emaranhados de tau.
As PNN são essenciais para estabilizar as conexões neurais e a plasticidade cerebral, permitindo que o cérebro se adapte e reforce suas sinapses. Quando essas redes se perdem, os neurônios se tornam vulneráveis, comprometendo a comunicação entre regiões que registram informações sociais e afetivas.
O efeito é a dificuldade crescente de reconhecer pessoas queridas, algo profundamente relatado por familiares de pacientes com Alzheimer. Especialistas afirmam que entender esse mecanismo pode guiar o desenvolvimento de terapias que protejam essas redes, embora seja necessário avançar em estudos clínicos para avaliar a segurança e eficácia em humanos.


































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