Diversidade
Estudo aponta que vacina contra herpes-zóster pode ajudar a reduzir risco de demência
Pesquisa internacional analisou 280 mil pessoas e destaca novos benefícios da imunização em adultos e idosos
Divulgação
Um estudo internacional publicado em 2025 pela revista científica Nature Medicine revelou que a vacina contra a herpes-zóster pode estar associada a uma redução de até 20% no risco de desenvolvimento de demência. A pesquisa avaliou dados de aproximadamente 280 mil pessoas e trouxe novas evidências sobre os benefícios da imunização além da prevenção da doença.
O levantamento comparou indivíduos vacinados e não vacinados e observou menor ocorrência de demência entre aqueles que receberam a vacina. Para a infectologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Marília Turchi, os resultados ampliam a compreensão sobre o papel da vacinação na proteção da saúde ao longo do envelhecimento.
Ligação entre o vírus e o sistema nervoso
Segundo a especialista, pesquisadores levantam a hipótese de que a reativação do vírus da herpes-zóster esteja relacionada a processos inflamatórios no sistema nervoso central. Mesmo sem quadros graves, como meningite ou encefalite, essas inflamações podem contribuir para o surgimento de demência. Ao evitar a reativação do vírus, a vacina pode oferecer uma proteção adicional.
Indicação e esquema vacinal
A vacina é indicada para todas as pessoas a partir dos 50 anos e também para indivíduos mais jovens com condições que aumentam o risco de reativação do vírus, como doenças onco-hematológicas, reumatológicas, diabetes de difícil controle, doença renal crônica ou uso de imunossupressores.
Com o avanço da idade, ocorre a redução natural da imunidade, conhecida como imunossenescência, o que eleva o risco da doença. O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de dois meses, e é considerado seguro.
Além de prevenir a herpes-zóster, a vacina reduz de forma significativa a chance de dor crônica, uma das complicações mais frequentes da infecção. O imunizante já é amplamente utilizado em países da América do Norte e da Europa.
Vacina após infecção
Mesmo pessoas que já tiveram herpes-zóster devem se vacinar. A imunização não elimina dores crônicas já instaladas, mas protege contra novos episódios. A orientação médica é que a vacina seja aplicada cerca de seis meses após a infecção.
A infectologista também chama atenção para a baixa adesão à vacina no Brasil e destaca a importância de ampliar o acesso à informação para fortalecer a prevenção.
Entenda a doença
A herpes-zóster é causada pelo vírus da varicela-zóster, responsável também pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece adormecido no organismo e pode ser reativado anos depois, especialmente em momentos de baixa imunidade.
Os sintomas incluem bolhas dolorosas na pele, geralmente localizadas em um lado do corpo e ao longo de um nervo específico. Em casos mais graves, a doença pode afetar olhos, audição e causar dor persistente.
O tratamento precoce com antivirais é essencial para reduzir a inflamação, evitar complicações e diminuir o risco de dor crônica.


































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