Goiás, 3 de fevereiro de 2026
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Diversidade

Instituto criado por sobrevivente da violência doméstica oferece apoio on-line a mulheres

Fundado em 2024, no Rio de Janeiro, o Instituto Florescer oferece acolhimento psicológico, orientação jurídica e apoio social gratuito a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica, com atendimento on-line em todo o país

Debora Saraiva, fundadora do Instituto Florescer, afirma: “Florescer é provar que a violência não define o fim da trajetória de nenhuma mulher”. (Foto: Divulgação)

O Instituto Florescer nasceu da experiência pessoal de sua fundadora e presidente, Debora Saraiva, assistente social e sobrevivente de violência doméstica. Após atravessar o ciclo de violência e passar por um processo de reconstrução, ela decidiu transformar sua história em um projeto para que outras mulheres não enfrentem esse caminho sozinhas.

Eu sou uma sobrevivente da violência doméstica. Vivi esse ciclo, enfrentei a dor, o medo e o silêncio e, após o meu processo de cura, tomei uma decisão muito clara: dedicaria a minha vida para que nenhuma mulher passasse pelo que eu passei”, afirma.

O Instituto, criado em 2024, surgiu para preencher uma lacuna no atendimento às vítimas, especialmente no suporte psicológico. Segundo a fundadora, esse acompanhamento é essencial antes e depois da denúncia, momento em que muitas mulheres se sentem fragilizadas e desamparadas.

Muitas mulheres não conseguem sequer reunir forças emocionais para denunciar sem apoio profissional. Depois da denúncia, é comum que se sintam sozinhas, culpadas e confusas, relata.

O nome “Florescer” simboliza o processo de renascimento após a violência. Para a fundadora, representa a reconstrução da própria história e o resgate da autoestima, da dignidade e da autonomia. “Florescer é provar que a violência não define o fim da trajetória de nenhuma mulher”, diz.

Atualmente, o Instituto atende mulheres de diferentes idades e contextos sociais, além de crianças que sofreram violência direta ou que presenciaram agressões contra suas mães. A organização considera que esses filhos e filhas também são vítimas e precisam de acolhimento específico.

Essas crianças crescem carregando marcas profundas da violência que presenciaram. Elas também precisam ser vistas e cuidadas”, explica Debora.

O primeiro acolhimento é realizado de forma humanizada, segura e sem julgamentos. As mulheres são ouvidas, orientadas sobre seus direitos e encaminhadas para os atendimentos necessários, sempre respeitando o tempo e a realidade de cada caso.

Com sede no Rio de Janeiro, o Instituto atende mulheres de todo o Brasil, principalmente por meio de atendimentos on-line. A agilidade é prioridade em situações de violência doméstica, pois a segurança das vítimas depende do tempo de resposta.

A violência não tem endereço fixo, e o acolhimento também não pode ter limites geográficos. Quando uma mulher pede ajuda, ela não pode esperar

A atuação do Instituto é multidisciplinar e inclui atendimento psicológico, acompanhamento terapêutico, orientação e apoio jurídico, atendimento com nutricionistas, apoio social contínuo e encaminhamentos para a rede de proteção. A equipe é formada por psicólogos, terapeutas, advogados, assistentes sociais, dois estagiários de serviço social e mais de 30 voluntários.

O Instituto também mantém parcerias voltadas à garantia de direitos, inclusive previdenciários, especialmente para mulheres que, em razão de traumas, sequelas físicas ou emocionais, ou da maternidade atípica, precisam de avaliação especializada. “Acolher também é garantir direitos”, reforça Debora.

Os atendimentos são gratuitos e sigilosos, realizados on-line e presencialmente. O atendimento presencial ocorre por meio de parceria que também atende crianças com autismo, sem vínculo financeiro com o Instituto. A parceria amplia o acesso ao atendimento, especialmente para mulheres que vivenciam a maternidade atípica.

Todo o projeto foi iniciado com recursos próprios da fundadora e, até hoje, o Instituto não recebe apoio financeiro público ou privado.

Eu abri o Instituto com o meu próprio dinheiro. Tudo o que fazemos é sustentado por parcerias solidárias e pela dedicação das pessoas envolvidas”, afirma.

Ao longo de sua trajetória, o Instituto Florescer Mulher já atendeu cerca de 100 mulheres e alguns de seus filhos. Segundo Debora, as transformações observadas vão além do rompimento com a violência.

Muitas mulheres retomam os estudos, retornam ao mercado de trabalho, fortalecem vínculos familiares e passam a se reconhecer como fortes, capazes e dignas de uma vida sem violência”, relata.

Além dos atendimentos atuais, o Instituto planeja ampliar suas ações com cursos profissionalizantes, aulas de defesa pessoal, atividades físicas e iniciativas voltadas à autonomia e à segurança das mulheres atendidas.

Estar à frente do Instituto, segundo a fundadora, é um compromisso permanente. “É transformar a dor em propósito e usar a própria história para acolher outras mulheres com empatia, verdade e responsabilidade”, diz.

O Instituto aceita voluntários, especialmente nas áreas de psicologia, direito, serviço social, terapias e acolhimento. Algumas mulheres que já passaram pelo atendimento hoje integram a equipe de apoio. “Isso cria uma rede viva, onde mulheres ajudam outras mulheres a florescer”, conclui.

Para mulheres que vivem situações de violência, Debora deixa uma mensagem direta: “Você não está sozinha. A violência não é culpa sua. Pedir ajuda é um ato de coragem. Existe vida após a violência, e eu sou prova disso”.

À sociedade, o alerta é coletivo: “O silêncio fortalece o agressor. O acolhimento, a informação e a ação salvam vidas”.

Como participar da rede de apoio

Pessoas interessadas em contribuir com o trabalho do Instituto Florescer Mulher podem participar da rede de apoio de forma voluntária. A atuação é voltada a profissionais e colaboradores das áreas de psicologia, direito, serviço social, terapias e acolhimento, além de outras frentes de apoio às vítimas. Segundo a instituição, o trabalho voluntário é uma das bases para ampliar o atendimento e alcançar mulheres em diferentes regiões do país. Informações sobre como participar estão disponíveis no Instagram do Instituto, @institutoflorescermulher.

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