Diversidade
Pesquisa indica que rosto pode revelar sinais precoces de depressão
Estudo com universitários utilizou inteligência artificial para analisar expressões faciais associadas ao sofrimento emocional.
Foto: Canva
Uma pesquisa internacional reacendeu o debate sobre diagnóstico precoce em saúde mental ao indicar que expressões faciais sutis podem ajudar a identificar pessoas com risco de depressão. O estudo foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Waseda, no Japão, e publicado na revista Nature Scientific Reports.
O trabalho envolveu jovens universitários, divididos entre indivíduos sem sintomas e participantes com sinais leves de transtorno de humor. A proposta foi observar se a forma de se expressar diante da câmera poderia revelar padrões associados ao sofrimento psíquico.
Análise humana e inteligência artificial
Durante o experimento, os participantes gravaram vídeos curtos sem qualquer roteiro. Esses registros foram avaliados por observadores humanos, que atribuíram impressões subjetivas, e também por um sistema automatizado capaz de identificar movimentos musculares faciais.
A tecnologia utilizada permitiu mapear alterações nos músculos relacionados ao sorriso e ao olhar, elementos frequentemente ligados à expressão emocional.
Principais achados
De acordo com os resultados, indivíduos com maior tendência depressiva apresentaram menor intensidade de expressões positivas, sendo percebidos como menos espontâneos e menos expressivos.
Essas características foram confirmadas tanto pelas avaliações humanas quanto pela análise computacional, sugerindo coerência entre percepção social e dados objetivos.
Limites e aplicações
Especialistas destacam que, apesar dos achados promissores, a análise facial não deve ser utilizada de forma isolada. O psiquiatra Ricardo Feldman ressalta que o diagnóstico da depressão exige uma avaliação ampla, incluindo entrevista clínica, observação comportamental e outros exames quando necessários.
No Brasil, pesquisas conduzidas por universidades como a Unicamp reforçam que sinais não verbais podem funcionar como alertas iniciais, especialmente quando associados a sintomas como alterações no sono, perda de prazer e desânimo persistente.
Olhar atento também é cuidado
Além da tecnologia, os pesquisadores chamam atenção para um aspecto essencial: a importância de observar e ouvir mais as pessoas ao redor. Mudanças no olhar, na postura e na forma de se comunicar podem indicar que alguém não está bem e precisa de acolhimento.


































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