Goiás, 3 de fevereiro de 2026
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Diversidade

Quadrilha que usava mendigos para abrir contas e fraudar o Sou.Gov é alvo de operação

Organização criminosa usava pessoas em situação de rua para abrir contas digitais e aplicar golpes financeiros contra servidores públicos

Canva

Uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas contra servidores públicos foi alvo de uma operação policial realizada nesta quinta-feira (29/1). A ação, denominada Operação Duplo Fator, é conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal e investiga um esquema que explorava falhas de segurança da plataforma Sou.Gov.

De acordo com as apurações, os criminosos recrutavam pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social para abrir contas bancárias digitais. Após a liberação de crédito, essas contas eram utilizadas para a contratação de empréstimos fraudulentos em nome de servidores públicos.

Ao todo, estão sendo cumpridos 14 mandados judiciais, sendo seis de prisão preventiva e oito de busca e apreensão, em regiões do Distrito Federal e nos estados de Goiás e Mato Grosso.

No DF, as diligências ocorrem no Areal, Ceilândia, Riacho Fundo e Samambaia. Em Goiás e no Mato Grosso, os mandados são cumpridos nos municípios de Aragarças e Barra do Garças.

Estrutura do esquema

Para evitar a identificação, o grupo alugava imóveis temporários, que funcionavam como bases para a execução das fraudes. Nesses locais, eram instalados equipamentos de informática e impressão para produção de documentos falsificados.

A quadrilha utilizava ferramentas automatizadas para identificar servidores públicos com bom histórico financeiro e alto limite de crédito. Pessoas vulneráveis eram usadas para burlar os sistemas de biometria facial, enquanto documentos como RGs e CNHs eram editados com imagens dessas pessoas.

Após movimentações financeiras iniciais para simular normalidade, os criminosos avançavam para a fase mais lucrativa do golpe.

Prejuízo e responsabilização

Na etapa final, o grupo conseguia desativar a autenticação em dois fatores do Sou.Gov, elevando o nível de acesso das contas para categorias superiores, o que permitia a contratação de empréstimos sem o consentimento das vítimas.

Segundo a Polícia Civil do DF, apenas dois casos investigados resultaram em um prejuízo de aproximadamente R$ 364 mil, envolvendo duas instituições financeiras.

A Justiça determinou o bloqueio de valores nas contas dos investigados para garantir o ressarcimento dos danos e enfraquecer a estrutura financeira da organização.

Os envolvidos poderão responder por organização criminosa e estelionato eletrônico. A operação conta com apoio da Divisão de Operações Policiais (DOE/PCDF) e das polícias civis de Goiás e Mato Grosso.

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