Goiás, 18 de fevereiro de 2026
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Diversidade

Queda no consumo de álcool entre jovens não garante hábitos mais saudáveis, indica pesquisa

Especialistas apontam migração para outras substâncias e novos riscos à saúde dessa geração

Pexels

O número de jovens que afirmam não consumir álcool no Brasil cresceu nos últimos anos, mas a mudança de comportamento não significa, necessariamente, uma relação mais saudável com substâncias psicoativas. É o que revela uma pesquisa nacional que analisou padrões de consumo e percepção sobre o hábito de beber no país.

De acordo com o estudo “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, encomendado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) e realizado pela Ipsos-Ipec, 64% da população declarou não consumir bebidas alcoólicas em 2025. O avanço da abstinência é mais evidente entre os mais jovens.

Na faixa etária de 18 a 24 anos, o percentual de pessoas que não bebem subiu de 46% para 64%. Entre aqueles de 25 a 34 anos, o índice passou de 47% para 61%. Para especialistas, no entanto, a redução não pode ser analisada isoladamente.

Profissionais de saúde relatam que, em muitos casos, a diminuição do consumo de álcool vem acompanhada da substituição por outras substâncias, como maconha, drogas sintéticas, cigarros eletrônicos, vapes e produtos com nicotina. Há ainda registros de aumento de distúrbios alimentares associados a essa nova dinâmica.

O levantamento ouviu 1.981 pessoas com 18 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre 4 e 6 de setembro, antes dos episódios recentes de intoxicação por metanol. As perguntas abordaram tanto a frequência de consumo quanto a percepção individual sobre os efeitos do álcool.

Entre os entrevistados, 52% eram mulheres, com idade média de 42 anos. A maioria tinha ensino médio completo, residia na região Sudeste e vivia em cidades do interior. Mais da metade pertencia à classe C, e 89% afirmaram ter acesso à internet. O recorte religioso mostrou predominância de católicos e evangélicos.

Especialistas apontam que a nova geração associa o álcool a prejuízos imediatos, como queda de desempenho nos estudos e no trabalho, impacto na saúde mental, alteração na aparência física e redução da disposição para atividades esportivas. A rejeição à ressaca e à perda de controle também aparece como fator relevante.

Outro elemento decisivo é o medo de exposição. O risco de ser filmado, ter comportamentos inadequados divulgados nas redes sociais ou sofrer consequências profissionais pesa mais do que os efeitos de longo prazo à saúde, especialmente entre jovens adultos.

Apesar da redução observada no Brasil, o consumo de álcool entre jovens segue sendo uma preocupação global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em 2024, indicam que 22% dos adolescentes de 15 a 19 anos consumiam álcool em 2019, com maiores índices nas Américas e na Europa.

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