Diversidade
Zuckerberg diz que Meta não permite menores, mas documentos contradizem versão
Zuckerberg depõe em tribunal e rebate acusações de que Instagram teria incentivado uso por crianças
Canva
O fundador e CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, prestou depoimento em um julgamento nos Estados Unidos que pode redefinir a responsabilidade das redes sociais sobre a saúde mental de jovens usuários.
A ação foi movida por uma mulher da Califórnia que afirma ter sofrido danos psicológicos após utilizar Instagram e YouTube ainda na infância. Segundo a acusação, as plataformas teriam incentivado o uso prolongado mesmo conhecendo riscos relacionados à depressão e a outros transtornos.
Zuckerberg declarou que a Meta não permite crianças menores de 13 anos em seus serviços. Advogados da autora, porém, apresentaram registros internos sugerindo discussões estratégicas sobre como atrair usuários mais jovens.
Tempo de uso e metas
Parte do interrogatório abordou declarações feitas por Zuckerberg ao Congresso dos EUA em 2021, quando afirmou não ter orientado equipes a priorizar o aumento do tempo de uso.
E-mails internos de 2014 e 2015 mostraram metas de crescimento no tempo de permanência no aplicativo. O CEO sustentou que a estratégia evoluiu e que documentos posteriores refletiam análises de desempenho, não objetivos formais.
Ele também afirmou que adolescentes representam parcela inferior a 1% da receita do Instagram.
Onda de processos
O caso faz parte de um movimento mais amplo contra empresas como Google, Snap Inc. e TikTok, que enfrentam milhares de ações judiciais nos EUA.
As demandas se concentram no design das plataformas e nos mecanismos que incentivam o engajamento contínuo. Reportagens investigativas anteriores já haviam revelado pesquisas internas apontando impactos negativos do Instagram na autoestima de adolescentes.
O debate ultrapassa as fronteiras americanas. A Austrália aprovou restrição ao acesso de menores de 16 anos às redes sociais. Nos EUA, o estado da Flórida também adotou limites etários, atualmente questionados na Justiça.
O julgamento é visto como um caso teste que poderá influenciar decisões futuras envolvendo bigtechs e regulação digital.

































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