Goiás, 23 de fevereiro de 2026
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Mulheres vítimas de violência em Goiânia têm risco elevado de homicídio e suicídio

Dados de 2010 a 2020 apontam que agressões prévias aumentam drasticamente as chances de morte por causas externas

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Entre 2010 e 2020, 11.900 meninas e mulheres registraram casos de violência em Goiânia, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde em parceria com a Vital Strategies. A pesquisa mostrou que essas mulheres apresentam risco 29 vezes maior de homicídio e três vezes mais chance de suicídio, evidenciando a gravidade da violência de gênero na capital.

O estudo cruzou informações do Sinan-Violência, do SIM e do SIH/SUS, permitindo acompanhar a evolução dos casos e identificar os fatores de risco. Familiares foram os agressores em 26,7% das ocorrências, parceiros íntimos em 20,6%, e conhecidos em 15,6%. A faixa etária mais afetada foi de 10 a 19 anos, com 26,5% das notificações, seguida por mulheres entre 30 e 59 anos (25,1%) e crianças de 0 a 9 anos (24,1%).

Os tipos de violência variaram com a idade: negligência predominou em crianças e idosas, violência sexual em adolescentes e agressão física em mulheres adultas. Entre os meios de ataque, o espancamento foi o mais frequente (34,9%), seguido de ameaças (21,3%), armas de fogo (11,2%) e objetos perfurocortantes (10,9%).

O estudo revela que homicídios, embora representem 1% das mortes femininas em Goiânia, correspondem a 33% entre mulheres com histórico de violência. Acidentes de transporte passam de 2% para 8% nesse grupo. Já as Doenças Crônicas não Transmissíveis, responsáveis por 65% dos óbitos gerais, respondem por apenas 30% entre vítimas notificadas.

Além de mapear riscos, Goiânia se destaca por iniciativas para dar visibilidade ao feminicídio. Pesquisadores e gestores planejam incluir esse crime na CID-11, permitindo integrar dados de saúde, segurança e assistência social, aprimorando políticas públicas. Cheila Maria de Lima, da SMS, afirma que a inclusão permitirá estruturar vigilância contínua, garantindo que casos antes mascarados por classificações genéricas sejam contabilizados corretamente.

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