Goiás, 4 de fevereiro de 2026
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Homem é condenado a 67 anos por matar mulher trans em Goiás

Júri reconhece homicídio qualificado, feminicídio e fraude processual; sentença inclui indenização à família.

O pedreiro José Wagner da Silva, de 33 anos, foi condenado a 67 anos de prisão pelo homicídio de uma mulher trans em Mineiros, Goiás. O júri, realizado em 1º de outubro, reconheceu as qualificadoras feminicídio, homicídio qualificado, motivo torpe, emprego de fogo e fraude processual. A Justiça também determinou o pagamento mínimo de R$ 50 mil à família da vítima.

O crime ocorreu em 8 de setembro de 2024, quando a vítima foi convidada para beber na casa do acusado. Após descobrir que se tratava de uma mulher trans, José Wagner a agrediu e a queimou viva. Laudo pericial aponta que a vítima ainda respirava quando foi arrastada até o fogo, gerando sofrimento adicional aos familiares.

A defesa afirma que o condenado é dependente químico e alcoólatra, e que o crime foi cometido sob efeito de álcool e cocaína, sem dolo específico. O advogado anunciou intenção de recorrer do quantitativo da pena e solicitar avaliação de sanidade mental.

A pena total inclui 65 anos, 1 mês e 18 dias por homicídio e 2 anos e 6 meses por fraude processual, a serem cumpridas em regime fechado e semiaberto, respectivamente. O acusado está preso preventivamente desde setembro de 2024.

Nota da defesa na íntegra

No último dia 1º de outubro, em Mineiros (GO), foi realizado o júri do meu cliente, José Wagner, que se estendeu por mais de 11 horas. Ao final, o Conselho de Sentença acolheu a acusação do Ministério Público e fixou a pena em quase 67 anos de reclusão.

Durante o julgamento, a acusação sustentou diversas qualificadoras – motivo torpe, alegando homofobia, impossibilidade de defesa da vítima, emprego de fogo para aumentar o sofrimento, feminicídio, além de fraude processual.

A defesa, no entanto, demonstrou que José Wagner é dependente químico e alcoólatra, e que, nos dias que antecederam o fato, permaneceu ingerindo álcool de forma contínua, tendo ainda consumido cocaína pela primeira vez. Essa combinação gera o cocaetileno, substância produzida no fígado quando há uso simultâneo de álcool e cocaína. Estudos científicos apontam que o cocaetileno compromete diretamente o funcionamento do córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pelo controle das emoções e pela tomada de decisões racionais, fazendo com que a pessoa aja de forma impulsiva e sem plena consciência de seus atos.

Por isso, a defesa sustentou que José Wagner não agiu com dolo específico, mas sob efeito direto dessas substâncias, em um quadro agravado pela sua condição de dependência química. Inclusive, será solicitado um incidente de sanidade mental para avaliação mais profunda de sua condição.

Por fim, registro que a defesa pretende recorrer quanto ao quantitativo da pena. Essa análise será feita com muito cuidado e atenção, para que sejam adotadas todas as medidas cabíveis em busca de justiça.

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