Goiás
Investigação revela que delegado preso pedia pizza e usava celular dentro da cela em Goiás
MP apura falhas na custódia e possível favorecimento a delegado investigado por desvios públicos
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Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) revelou indícios de irregularidades na custódia de um delegado preso desde agosto de 2025, suspeito de envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos. As apurações indicam que o investigado manteve comunicação externa e uma rotina considerada incompatível com o regime de prisão.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o delegado esteve custodiado na Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), em Goiânia, onde teria feito pedidos frequentes de alimentos e utilizado telefone celular de forma irregular.
O aparelho foi apreendido em uma operação realizada em dezembro de 2025, o que levou o Grupo de Atuação Especial no Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) a instaurar um inquérito para apurar a responsabilidade de servidores públicos que teriam permitido o acesso a meios de comunicação dentro da cela.
Durante a análise do material, promotores encontraram cadernos com registros de rotina, controle financeiro e anotações ligadas ao Instituto Delta Proto, empresa sediada em Rio Verde. Segundo o MP, há indícios de que o delegado continuava administrando interesses pessoais e empresariais mesmo após a prisão.
Mensagens analisadas indicam tentativas de ocultar o celular durante inspeções e o uso de identidade falsa para comunicação externa, além de solicitações de códigos para recebimento de entregas feitas diretamente na delegacia.
Desdobramentos
Em 18 de dezembro, o delegado foi transferido para a Casa do Albergado, após o MP constatar a continuidade das irregularidades. A investigação também avalia a prática de favorecimento real, caso fique comprovada a concessão de benefícios indevidos durante a custódia.
O histórico do investigado inclui uma apuração anterior, em 2015, quando foi afastado do cargo sob suspeita de corrupção, relacionada à cobrança de valores para devolução de gado roubado.
Defesa e apuração
A defesa sustenta que os fatos não configuram crime e afirma que eventuais irregularidades devem ser analisadas na esfera administrativa. O delegado e a esposa são investigados por suspeita de integrar um grupo que teria fraudado contratos públicos na área da educação, desviando mais de R$ 2,2 milhões por meio de contratos sem licitação.
Em nota, a Polícia Civil informou que instaurou procedimentos internos, identificou responsáveis pela entrada ilegal de celulares em celas e reforçou que adota medidas rigorosas para coibir irregularidades.
O inquérito do MP segue sob sigilo e deve apontar eventuais falhas administrativas e responsabilidades relacionadas à custódia.


































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