Goiás, 4 de fevereiro de 2026
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Operação Mão de Ferro expõe rede violenta de agiotagem com participação de policiais e advogada em Luziânia

Vídeos mostram ameaças com armas, agressões físicas e uso de taco de beisebol em esquema que movimentava alto volume financeiro.

A Operação “Mão de Ferro”, deflagrada pela Polícia Civil, revelou um esquema estruturado de agiotagem e extorsão em Luziânia, envolvendo policiais militares, uma advogada e empresários. O grupo é acusado de utilizar violência para cobrar dívidas, com episódios registrados em vídeo que mostram agressões com taco de beisebol, arma apontada para a cabeça de vítimas e sessões de espancamento.

Entre os investigados estão o sargento da PM Herbert Francisco Póvoa, conhecido como Mike Póvoa; a esposa dele, a advogada Tatiane Meireles; o sargento Miguel Roberto Mendonça; o policial José Ronan Ferreira Lustosa; além de empresários que forneciam apoio financeiro ao esquema, segundo a Polícia Civil.

Em uma das imagens analisadas pelos investigadores, Tatiane aparece agredindo um homem em um terreno baldio com o mesmo taco exibido em vídeos do marido. Em outra gravação, o sargento Póvoa aparece segurando duas armas enquanto intimida um colombiano, exigindo que ele se desculpe.

Mensagens recuperadas pela polícia indicam que Póvoa demonstrava entusiasmo com os lucros gerados pelas cobranças. Em uma conversa, descreveu o momento financeiro como extremamente favorável e afirmou ter construído um capital significativo. Em outro diálogo, alertou um colega sobre a necessidade de cautela por se tratar de uma atividade ilegal.

A operação contou com cerca de 80 agentes e cumpriu mais de dez mandados de busca e apreensão, além de nove de prisão. A Polícia informou que a advogada atuava não apenas na defesa jurídica do grupo, mas também nas cobranças violentas.

As defesas dos investigados negam qualquer envolvimento. O advogado de Miguel Roberto afirma que ele é inocente e que um pedido de habeas corpus será protocolado. A defesa de Tatiane declara que houve divulgação indevida de informações sigilosas, contrariando determinação judicial. Já a defesa de José Ronan ressalta que o processo é sigiloso e que todas as medidas legais serão adotadas.

Em nota, a Polícia Militar informou que não compactua com desvios e que medidas internas já foram tomadas. A OAB-Goiás repudiou o suposto envolvimento da advogada e determinou seu afastamento preventivo.

Os investigados devem responder por organização criminosa, agiotagem, extorsão, lavagem de dinheiro e outros crimes.

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