Goiás, 5 de fevereiro de 2026
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Pandemia deixou mais de 40 mil crianças órfãs em Goiás, indica pesquisa

Estudo internacional aponta que o estado registrou taxa de orfandade superior à média nacional nos dois primeiros anos da covid-19.

Foto: Canva

Uma pesquisa publicada pela The Lancet Regional Health – Americas estimou que mais de 40 mil crianças e adolescentes goianos perderam pais, avós ou cuidadores entre 2020 e 2021.
A análise, que contou com a participação de universidades brasileiras e estrangeiras, avaliou dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade e da Pesquisa Nacional de Saúde.

Em Goiás, 22,8 mil crianças perderam pai ou mãe por diversas causas e 17,5 mil ficaram sem avós ou cuidadores que moravam no mesmo lar.
A Covid-19 foi responsável por quase 11 mil casos diretos, somando 6 mil órfãos de pais e 4,6 mil de cuidadores infectados.

Com 3,3 órfãos por mil crianças, Goiás apresentou um dos maiores índices do país, superando a média nacional, de 2,8 por mil.

Desigualdade regional e efeitos sociais

Os pesquisadores ressaltam que a pandemia teve impactos desproporcionais entre os estados. Regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica sofreram perdas mais severas. O Mato Grosso liderou o ranking nacional, enquanto o Pará teve o menor índice de orfandade.

Além das perdas emocionais, o estudo aponta que a morte de cuidadores diretos aumenta a probabilidade de empobrecimento, evasão escolar e insegurança alimentar.

Em todo o território nacional, mais de 1,3 milhão de crianças e adolescentes perderam pais ou cuidadores entre 2020 e 2021. A Covid-19 esteve relacionada a cerca de 284 mil dessas mortes.

Os estados com os maiores números absolutos de órfãos foram São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, enquanto Goiás aparece com um índice intermediário, mas ainda preocupante.

Medidas sugeridas e próximos passos

O artigo menciona a Lei nº 14.717/2023, que prevê pensão para filhos de vítimas de feminicídio, e defende a criação de uma política nacional voltada às crianças órfãs por diferentes causas.
Os autores destacam a importância do uso de registros civis integrados para identificar e acompanhar essas crianças, modelo já aplicado em cidades como Campinas (SP).

Financiado por instituições internacionais, o estudo enfatiza que investir em políticas sociais de longo prazo pode reduzir os efeitos da orfandade e fortalecer a rede de proteção infantil.

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