Goiás
Queda de energia, 40 dias de buscas e corpo em mata: veja a linha do tempo do assassinato da corretora Daiane Alves
Desaparecida desde dezembro, corretora de imóveis foi encontrada morta após mais de 40 dias; síndico do prédio confessou o crime e levou a polícia ao local onde ocultou o corpo
Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vista pela última vez dia 17 de dezembro — Foto: Arquivo pessoal/Nilse Alves Pontes
A corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, foi encontrada morta após permanecer mais de 40 dias desaparecida em Caldas Novas, no sul de Goiás. O corpo foi localizado em uma área de mata às margens da GO-213, após o síndico do prédio onde a vítima morava confessar o homicídio e indicar o local à Polícia Civil. O crime ocorreu no subsolo do edifício, onde Daiane havia descido para verificar uma queda de energia elétrica em seu apartamento.
Desaparecimento após queda de energia
A corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, desapareceu na noite de 17 de dezembro de 2025, em Caldas Novas, no sul de Goiás. Ela foi vista pela última vez ao descer até o subsolo do Edifício Ametista Tower, no Residencial Golden Thermas, para verificar uma queda no fornecimento de energia em seu apartamento.
Antes de sair, Daiane gravou vídeos e os enviou a uma amiga. As imagens mostram que apenas o apartamento dela estava sem energia e que a porta foi deixada aberta, o que, segundo a família, indicava que ela pretendia retornar rapidamente. A filha da corretora, uma adolescente de 17 anos, não estava no local naquela noite.
Primeiros dias de investigação
O desaparecimento foi registrado cerca de 24 horas depois, em 18 de dezembro. Inicialmente, a Polícia Civil tratou o caso como um possível desaparecimento voluntário, sem indícios diretos de crime e sem suspeitos formalmente identificados.
A família, no entanto, sempre sustentou que Daiane não teria saído do prédio por vontade própria. A mãe da vítima, Nilse Alves Pontes, afirmou que encontrou o apartamento trancado e que não houve movimentação bancária após o desaparecimento. O carro da corretora estava em uma oficina em Uberlândia (MG), e ela costumava utilizar aplicativos de transporte.
Criação de força-tarefa e avanço das apurações
No dia 15 de janeiro, quase um mês após o desaparecimento, a Polícia Civil criou uma força-tarefa para intensificar as investigações. Ao todo, 22 pessoas foram ouvidas, entre moradores e funcionários do condomínio.
Segundo o delegado André Luiz Barbosa, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), a reconstituição dos fatos apontou que apenas o síndico do prédio, Cléber Rosa de Oliveira, teria acesso, tempo e condições para cometer o crime sem ser registrado pelas câmeras.
A polícia também constatou que o local onde ficam os disjuntores de energia é um ponto cego do sistema de monitoramento e que imagens importantes não haviam sido inicialmente entregues aos investigadores.
Histórico de conflitos e processos judiciais
As investigações revelaram um histórico de conflitos entre Daiane e o síndico, envolvendo disputas pela administração de seis apartamentos da família da corretora. Ao todo, existem 12 processos judiciais entre as partes, nas áreas cível e criminal.
Entre eles, uma denúncia por lesão corporal, registrada em maio de 2025, quando Cléber é acusado de ter agredido Daiane durante uma discussão, e uma denúncia por perseguição (stalking), feita pelo Ministério Público de Goiás em janeiro deste ano, com agravante de abuso de função.
Prisões e confissão
Na madrugada de 28 de janeiro, Cléber Rosa de Oliveira e o filho dele, Maicon Douglas Souza de Oliveira, foram presos no apartamento onde moravam. Segundo a polícia, eles estavam com malas prontas no momento da prisão.
Após ser detido, Cléber confessou o homicídio e indicou o local onde havia deixado o corpo da vítima, em uma área de mata às margens da GO-213, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, no município de Ipameri.
O filho é investigado por obstrução das investigações, após, segundo a polícia, ter fornecido um celular novo ao pai, possivelmente para dificultar a apreensão de provas.
Dinâmica do crime
De acordo com a Polícia Civil, o crime ocorreu em um intervalo de oito minutos, logo após Daiane desembarcar no subsolo. Cléber teria utilizado as escadas para não ser filmado e, após o homicídio, colocado o corpo da corretora na carroceria de sua caminhonete.
Imagens de câmeras de segurança mostram o veículo deixando o condomínio por volta das 20h do dia do desaparecimento.
Perícia e causa da morte
O corpo de Daiane foi encontrado em estado avançado de decomposição e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia. A Polícia Científica informou que o laudo da necropsia, que deve apontar a causa da morte, tem prazo estimado de 10 dias.
Serão realizados exames de tomografia computadorizada, análise da arcada dentária, exames antropológicos e, se necessário, DNA.
Situação atual
Cléber Rosa de Oliveira está preso temporariamente por homicídio e ocultação de cadáver. Maicon Douglas segue preso, investigado por obstrução da Justiça. O porteiro do prédio foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos, mas não é considerado suspeito.
A defesa dos investigados afirmou que os fatos ainda estão sendo apurados, que Cléber aguarda audiência de custódia e que o filho não teve participação no crime.


































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