Goiás, 5 de fevereiro de 2026
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Trabalhadores em Vila Boa são resgatados de condições análogas à escravidão em fazenda de Goiá

Operação do MPT identificou alojamentos insalubres, ausência de registro e alimentação insuficiente; empresas pagarão mais de R$ 1,5 milhão em indenizações

(Divulgação/MPT)

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Goiás identificou condições de trabalho análogas à escravidão em uma fazenda de Vila Boa, região Leste do estado. A fiscalização revelou que 108 trabalhadores rurais viviam em alojamentos insalubres, sem banheiros adequados e com água contaminada.

Os funcionários atuavam nas empresas Companhia Bioenergética Brasileira (CBB) e ATAC Participação e Agropecuária S/A, ambas em recuperação judicial. Como resultado da operação, foi assinado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), prevendo o pagamento de mais de R$ 1,5 milhão em verbas rescisórias e indenizações individuais por danos morais.

O relatório da operação detalha que os alojamentos eram superlotados, sem ventilação e com odor forte. No trabalho, os funcionários não tinham acesso a banheiros e precisavam se deslocar para o mato. A água consumida estava contaminada e não havia local adequado para refeições.

Além disso, os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas, alimentação insuficiente, ausência de registro e falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A maioria era trazida do Maranhão.

O TAC determina a regularização dos contratos, proíbe intermediários, obriga a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos no Trabalho Rural (PGRTR) e estabelece que os alojamentos fiquem a até 30 km do trabalho, com deslocamento diário máximo de 25 minutos, oferecendo infraestrutura adequada.

A operação começou após denúncia anônima enviada pelos canais oficiais do MPT, como Sistema Ipê, Aplicativo Pardal e Disque 100. Tentativas de contato com representantes da CBB e ATAC não obtiveram resposta. O espaço permanece aberto para manifestação do contraditório.

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