Goiás, 3 de fevereiro de 2026
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Política

Estudo mostra que investimentos da Lei Rouanet multiplicam recursos e ampliam empregos no país

Pesquisa da FGV indica retorno econômico, expansão regional e impacto distributivo do incentivo à cultura

Ilustrativa/Canva

Os recursos aplicados por meio da Lei Rouanet têm gerado efeitos econômicos que vão além do setor cultural. Um estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que cada real investido em projetos financiados pelo mecanismo retorna R$ 7,59 para a economia. A pesquisa foi solicitada pelo Ministério da Cultura e apresentada nesta terça-feira (13).

A análise revela um crescimento expressivo no volume de projetos apoiados nos últimos anos. Entre 2022 e 2024, o número anual de iniciativas passou de cerca de 2.600 para mais de 14 mil. Somente em 2024, quase 5 mil projetos foram executados, resultando na abertura de aproximadamente 230 mil postos de trabalho em todo o país.

Desde a criação da lei, em 1993, os investimentos já ultrapassaram R$ 60 bilhões, em valores não corrigidos. Em 2024, a maioria dos projetos foi apresentada por empresas, responsáveis por mais de 86% das propostas aprovadas. O estudo também aponta que a maior parte das iniciativas teve captação de até R$ 1 milhão.

Os recursos foram direcionados principalmente para despesas administrativas, logísticas e equipes técnicas, com uma parcela relevante destinada ao pagamento de artistas. A FGV destaca que quase todos os pagamentos feitos via Rouanet ficaram abaixo de R$ 25 mil, fator que contribui para a pulverização dos recursos e o efeito distributivo de renda.

No aspecto regional, os dados mostram concentração dos investimentos no Sudeste, que recebeu R$ 18 bilhões dos R$ 25,7 bilhões movimentados em 2024. O Sul ficou com R$ 4,5 bilhões, seguido pelo Nordeste, com R$ 1,92 bilhão. As regiões Centro-Oeste e Norte tiveram captação menor, mas apresentaram crescimento expressivo no número de projetos ao longo dos últimos anos.

Entre 2018 e 2024, o Nordeste passou de 337 para 1.778 projetos, enquanto o Norte saltou de 125 para 635. O Centro-Oeste registrou aumento superior a 245%, e a Região Sul cresceu mais de 165%. Mesmo com crescimento percentual menor, o Sudeste teve a maior expansão em números absolutos.

Outro dado destacado pelo levantamento é a redução no prazo de análise das propostas, que caiu para cerca de 35 dias em 2025. A pesquisa também identificou captação adicional fora dos editais, com centenas de milhões de reais provenientes de outras fontes e apoios não financeiros.

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