Goiás, 7 de julho de 2026
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Condenado a 668 anos, serial killer de Goiânia pode deixar prisão

Mesmo condenado a mais de 668 anos de prisão por dezenas de crimes, Tiago Henrique Gomes da Rocha está sujeito ao limite de cumprimento de pena previsto na legislação vigente à época da condenação.

Tiago Henrique Gomes da Rocha — Foto: Tribunal de Justiça do Estado de Goiás

Passados mais de 11 anos desde sua prisão, Tiago Henrique Gomes da Rocha, conhecido como o serial killer de Goiânia, continua cumprindo pena no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Embora tenha sido condenado a 668 anos, 8 meses e 9 dias de prisão em 34 processos, a legislação brasileira estabelece um limite para o tempo de cumprimento da pena, o que poderá permitir que ele solicite a progressão para a liberdade em 2044.

Responsável por confessar mais de 30 assassinatos, Tiago foi preso em 14 de outubro de 2014, encerrando uma sequência de crimes que provocou medo entre moradores da capital goiana e mobilizou uma grande investigação policial.

Na época da prisão, o Código Penal limitava o cumprimento da pena privativa de liberdade a 30 anos. Esse prazo foi ampliado para 40 anos com a entrada em vigor do Pacote Anticrime, em 2019. No entanto, a alteração não alcança condenações definitivas anteriores à mudança na legislação, como ocorre no caso do condenado.

Conforme registros do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), a pena mais recente foi acrescentada em outubro de 2023, quando Tiago recebeu mais 14 anos, 6 meses e 29 dias de prisão pela tentativa de homicídio de duas mulheres. Atualmente, todos os processos relacionados aos crimes já foram encerrados.

Hoje com 38 anos, ele permanece em uma cela isolada no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Exame pode ser decisivo

Apesar da possibilidade de atingir o tempo máximo de cumprimento da pena em 2044, especialistas explicam que isso não significa uma saída automática da prisão.

Antes de qualquer decisão judicial, o condenado poderá ser submetido a um exame criminológico, utilizado para avaliar as condições de uma eventual liberdade. A análise poderá ser considerada pela Justiça na definição sobre a permanência ou não do preso no sistema penitenciário.

Também é destacado que Tiago não se enquadra nos casos de inimputabilidade previstos na legislação. Durante os processos, ele foi considerado plenamente capaz de compreender seus atos, motivo pelo qual não pode ser encaminhado para tratamento em instituição psiquiátrica destinada a pessoas consideradas inimputáveis.

Crimes que marcaram Goiás

Os homicídios atribuídos a Tiago Henrique deixaram Goiânia em estado de tensão durante meses. Um dos principais desafios das investigações era a ausência de uma motivação aparente para os assassinatos.

Como objetos das vítimas normalmente permaneciam nos locais dos crimes, a hipótese de latrocínio era descartada logo no início. Além disso, as investigações não encontravam qualquer ligação entre as vítimas, o que dificultava identificar um suspeito.

Segundo relatos apresentados ao longo dos processos, Tiago escolhia as vítimas de maneira aleatória, sem qualquer relação prévia com elas.

Entre os casos que mais marcaram a atuação dos investigadores está o assassinato de uma jovem que havia deixado o interior para estudar e trabalhar em Goiânia. Conforme apurado durante o julgamento, ela estava no banco traseiro de um veículo quando foi escolhida pelo condenado, que passou a seguir o carro até encontrar a oportunidade de efetuar o disparo.

Os processos envolvendo o serial killer ficaram entre os de maior repercussão da história recente da Justiça em Goiás e continuam sendo lembrados pelo impacto causado nas famílias das vítimas e na sociedade.

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