Goiás, 7 de outubro de 2026
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Política

Redes sociais exibem anúncios eleitorais no dia da votação

NetLab encontrou 568 anúncios na Meta e peças eleitorais no Kwai e Google; TikTok e YouTube recomendaram vídeos de candidatos

Canva

O primeiro turno das eleições de 2026 foi marcado também pela identificação de publicidade eleitoral nas redes sociais durante o período em que esse tipo de propaganda é proibido. Um levantamento do NetLab, laboratório da UFRJ, apontou anúncios na Meta, no Kwai e no Google, além da recomendação de conteúdos de candidatos no TikTok e no YouTube.

A pesquisa considera as regras do TSE que impedem a veiculação de propaganda eleitoral paga ou impulsionada na internet entre 48 horas antes e 24 horas depois da eleição.

As normas também estabelecem restrições para sistemas de recomendação. Plataformas que utilizam esse tipo de mecanismo devem excluir dos resultados os canais e perfis de candidatos informados à Justiça Eleitoral, respeitadas as situações previstas na legislação.

Para realizar o monitoramento, o NetLab combinou buscas manuais e computacionais. A equipe pesquisou termos ligados às candidaturas e ao processo eleitoral em bibliotecas de anúncios e utilizou APIs disponibilizadas pelas empresas.

Meta concentrou maior número de ocorrências

O levantamento apontou 568 anúncios veiculados durante o período analisado nas plataformas da Meta, entre elas Instagram, Facebook, WhatsApp, Messenger e Audience Network.

A pesquisa encontrou ainda seis peças que imitavam comunicações oficiais do TSE. Os anúncios divulgavam uma suposta opção de voto remoto por celular ou diretamente de casa, modalidade que não existe.

De acordo com o levantamento, algumas peças usavam problemas de saúde, dificuldades de locomoção e chuvas fortes como argumentos para convencer o usuário a recorrer ao suposto sistema. Em determinadas situações, o anúncio direcionava a pessoa para páginas que pediam o CPF.

Kwai teve 18 anúncios ativos

No Kwai, foram identificados 18 anúncios eleitorais ativos no domingo (4). Outros quatro apareciam como pausados na biblioteca da plataforma.

O NetLab apontou que três dos quatro anúncios pausados teriam sido exibidos durante o período de resguardo, entre 1º e 3 de outubro.

Também foram localizados 45 anúncios relacionados a dez páginas de candidaturas que apareciam com data final de circulação no próprio dia da eleição. Segundo o laboratório, anúncios previstos originalmente para terminar no dia 3 ainda constavam como ativos no dia seguinte.

O resultado, porém, foi tratado com ressalva pelo próprio NetLab. A equipe afirmou que encontrou divergências entre os arquivos exportados pelo Kwai e os dados apresentados diretamente na biblioteca da empresa, impedindo a confirmação integral da ocorrência.

No Google, um anúncio que já havia sido identificado em 3 de outubro permanecia ativo na estrutura de publicidade da empresa.

TikTok e YouTube recomendaram vídeos

O estudo não se limitou aos anúncios pagos. Os pesquisadores também acompanharam o funcionamento dos sistemas de recomendação do TikTok, YouTube e Instagram.

No intervalo entre 3 e 4 de outubro, o TikTok recomendou 18 vídeos publicados por sete candidatos, conforme o levantamento. No YouTube, foram encontrados 17 vídeos de seis candidatos nas recomendações.

Nenhuma recomendação de vídeo publicado por candidatos foi identificada no Instagram durante o período monitorado.

Dados das plataformas dificultam acompanhamento

Outro ponto destacado pelo NetLab foram as limitações dos sistemas de transparência das empresas.

Na Meta, o laboratório encontrou casos em que anúncios apareciam como inativos na interface da Biblioteca de Anúncios, mas estavam presentes simultaneamente em registros de anúncios ativos obtidos por meio da ferramenta de programação.

No Kwai, também houve diferença entre as informações apresentadas na biblioteca e os arquivos exportados. Para o NetLab, as limitações encontradas nas ferramentas de Google, LinkedIn e TikTok também dificultam o acompanhamento contínuo da propaganda eleitoral.

Empresas respondem ao levantamento

A Meta afirmou à Agência Brasil que mantém medidas para proteger o processo eleitoral e cumprir a legislação. A empresa também declarou que a amostra utilizada no levantamento não representa a escala de seu trabalho de integridade.

O Kwai disse que aguardava acesso aos conteúdos citados para analisá-los e afirmou ter mantido uma operação especial durante o período eleitoral. A empresa informou ainda que novos criativos de publicidade eleitoral tiveram o upload restrito desde 1º de outubro.

O TikTok afirmou trabalhar em conjunto com o TSE e seguir a legislação eleitoral. A plataforma informou que removeu 348.963 vídeos no Brasil entre junho e setembro de 2026 por violações relacionadas a integridade cívica e eleitoral, desinformação e conteúdos enganosos produzidos por inteligência artificial.

Já o Google informou que proíbe anúncios políticos no Brasil desde 2024 e afirmou que suas equipes atuam diante de violações. A empresa disse que apenas um anúncio foi identificado no estudo.

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