Política
Neonazistas planejavam ataque ao Planalto e tinham Lula como alvo
Investigação da PCDF identificou articulação virtual entre jovens de cinco estados; polícia apreendeu equipamentos e armas.
Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) levou à deflagração de uma operação contra um grupo neonazista acusado de preparar atentados em Brasília. A ação ocorreu na terça-feira (4) e teve apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A Operação Rede Interrompida teve como foco uma rede formada por homens de 19 a 31 anos que, segundo os investigadores, mantinham contato apenas no ambiente virtual.
Os agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Entre os materiais recolhidos estão computadores, celulares, armas, facas e objetos de propaganda nazista.
Conversas revelaram intenção de atacar instituições
A investigação identificou conversas nas quais os integrantes discutiam a realização de ataques em Brasília. Entre os locais citados estavam o Palácio do Planalto, o STF e o prédio previsto para receber um debate do segundo turno das eleições.
Os investigadores trabalham ainda com a hipótese de que o planejamento envolvendo o Palácio do Planalto pudesse ter como objetivo atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A rede funcionava por meio de dois grupos no Telegram. O maior deles reunia mais de 600 pessoas. Um segundo espaço, mais restrito, tinha 46 integrantes e concentrava usuários considerados mais radicalizados.
Segundo a investigação, esse grupo fechado apresentava conteúdo voltado não apenas à defesa de ideias extremistas, mas também à preparação de ações violentas.
Os investigadores encontraram ainda referências a instalações de prédios públicos e outros elementos que, segundo a polícia, demonstravam o nível de preparação pretendido pelos integrantes.
Conteúdo incluía discurso de ódio
O Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça voltado à investigação de crimes cibernéticos, participou do monitoramento da rede.
A análise realizada pelo laboratório classificou o material como de alta periculosidade. O relatório menciona disseminação de ideologia neonazista e manifestações de misoginia, racismo e homofobia, além de incentivo à violência.
As autoridades também identificaram esforços dos administradores para descobrir quais participantes estariam dispostos a transformar as manifestações virtuais em ações concretas.
Apesar da radicalização identificada, os investigados se apresentavam como contrários ao sistema político de forma geral, sem declarar apoio específico a partidos ou lideranças, segundo informações da investigação.
Equipamentos serão analisados
A apreensão dos dispositivos eletrônicos é considerada uma etapa importante da investigação. A partir do conteúdo armazenado em computadores e celulares, a polícia pretende identificar outros integrantes, compreender a estrutura da rede e verificar o nível de execução dos planos.
Até o momento da operação, não foram expedidos mandados de prisão. A estratégia foi concentrar a ação na obtenção de provas e no aprofundamento da investigação.
Os envolvidos poderão responder por crimes relacionados à associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime, de acordo com o resultado das apurações.




































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