Goiás, 1 de junho de 2026
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Diversidade

Violência sexual contra crianças cresce mais de 4 vezes no Brasil em 11 anos

Levantamento do Atlas da Violência 2026 mostra avanço expressivo nos casos envolvendo crianças e adolescentes e alerta para a predominância dos crimes dentro de casa.

© Wilson Dias/Agência Brasil

A violência sexual contra crianças e adolescentes aumentou de forma expressiva no Brasil ao longo da última década. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Segundo o levantamento, os registros cresceram mais de quatro vezes entre 2014 e 2024 em diferentes faixas etárias, com maior concentração entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos.

Na primeira infância, entre 0 e 4 anos, os casos saltaram de 1.671 para 7.845 notificações no período. Entre crianças de 5 a 14 anos, o número passou de 6.594 para 29.135. Já entre adolescentes de 15 a 19 anos, os registros aumentaram de 1.632 para 6.869.

O estudo mostra ainda que a maioria desses casos acontece dentro da própria residência. Cerca de dois terços das ocorrências envolvendo vítimas de até 14 anos foram registradas no ambiente doméstico. Entre crianças de até 4 anos, esse percentual chega a 79,9%.

De acordo com o Atlas, a distribuição por idade revela que 66% das notificações em 2024 atingiram crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos. Outros 18% envolveram crianças de 0 a 4 anos, enquanto 16% foram registrados entre adolescentes de 15 a 19 anos.

O levantamento também destaca a desigualdade de gênero nesses casos. Meninas representam a maioria das vítimas de violência sexual no país. Em 2024, 86,9% dos registros foram contra pessoas do sexo feminino, enquanto 13,1% atingiram meninos.

Além da violência sexual, o estudo aponta alta incidência de violência psicológica contra meninas e destaca que a violência física aparece de forma mais equilibrada entre os sexos. Já os casos de negligência apresentam leve predominância entre meninos.

Outro ponto de atenção trazido pelo Atlas é o crescimento dos casos de suicídio e lesões autoprovocadas entre adolescentes.

Entre 2014 e 2024, a taxa de suicídios por 100 mil habitantes entre jovens de 10 a 19 anos cresceu 41,7%. No mesmo período, as internações por lesões autoprovocadas aumentaram 73%.

Os maiores avanços proporcionais foram registrados em Tocantins, Roraima, Pará, Espírito Santo, Pernambuco e no Distrito Federal.

Os pesquisadores apontam que episódios de negligência, fragilidade nas relações de cuidado e diferentes formas de violência ao longo da infância podem anteceder quadros mais graves durante a adolescência.

O Atlas da Violência 2026 reforça a necessidade de políticas públicas permanentes de prevenção, proteção e acolhimento voltadas à infância e à adolescência.

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