Goiás, 30 de julho de 2026
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Dois novos casos de possível cura do HIV são anunciados

Pacientes deixaram os antirretrovirais após transplantes e seguem sem carga viral detectável, mas ainda precisam de acompanhamento

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A ciência registrou mais dois casos considerados possíveis curas ou remissões do HIV. Os pacientes passaram por transplantes de células-tronco e, depois de interromperem o tratamento antirretroviral, permaneceram sem carga viral detectável por 14 e 12 meses, respectivamente.

Os resultados serão divulgados na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, que ocorre nesta semana no Rio de Janeiro. A atualização faz com que a Sociedade Internacional de Aids (IAS) passe a contabilizar 13 casos de cura ou remissão do HIV, contra 11 anteriormente reconhecidos.

A classificação ainda é provisória. Os especialistas precisam observar os pacientes durante um período maior para determinar se a ausência do vírus se manterá sem a necessidade de medicamentos.

Um dos pacientes é um homem de 21 anos, chamado de paciente de Kansas City. Ele descobriu que tinha HIV e uma forma agressiva de leucemia em 2018.

O transplante ocorreu em outubro de 2020. As células-tronco vieram de uma doadora com duas cópias da mutação genética CCR5-delta32, alteração rara que impede que as variantes mais comuns do HIV utilizem uma importante via de acesso às células.

O tratamento teve complicações e exigiu uma nova infusão de células-tronco. Em fevereiro de 2025, os antirretrovirais foram suspensos.

Quatorze meses depois, os testes continuavam sem identificar o vírus no sangue. As análises também não encontraram células infectadas que pudessem dar início novamente à infecção. Antes do transplante, a carga viral do paciente ultrapassava 2 milhões de cópias por mililitro de sangue.

O outro caso envolve uma pessoa que, além do HIV, tinha hepatite B. O paciente recebeu células-tronco de um doador com duas cópias da mesma mutação CCR5-delta32.

O caso chamou atenção dos pesquisadores porque o paciente apresentava diferentes variantes do HIV, algumas capazes de utilizar outras portas de entrada nas células.

A interrupção dos antirretrovirais aconteceu pouco mais de quatro anos depois do transplante. Após 12 meses, os exames não detectavam carga viral do HIV. Também não foram encontrados vírus capazes de se replicar nem material genético completo do HIV em amostras retiradas do intestino.

O resultado, contudo, teve uma diferença importante em relação ao primeiro caso. A hepatite B voltou a se multiplicar apenas 25 dias depois que os medicamentos foram interrompidos. Isso aconteceu porque parte dos remédios utilizados contra o HIV também ajudava a controlar a hepatite.

A possível cura do HIV por meio de transplante continua sendo um fenômeno raro. Os casos documentados até agora envolvem pacientes que precisaram do procedimento para combater leucemias, linfomas ou outras doenças graves do sangue.

Isso significa que o transplante não foi realizado como uma terapia específica contra o HIV. Por causa dos riscos envolvidos, o procedimento não é considerado uma opção de tratamento convencional para pessoas que vivem com o vírus.

Os dois novos pacientes continuarão sob acompanhamento médico para determinar se a remissão permanecerá ao longo do tempo.

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