Goiás
Aos 50, ex-faxineiro do TJ-GO conquista diploma de Direito
Francisco Patrício levou 18 anos para concluir Direito após deixar o sertão do Ceará e superar pobreza, interrupções nos estudos e dificuldades para pagar a faculdade.
O assistente judiciário Francisco Arnaldo Patrício, de 50 anos, formou-se em Direito na segunda-feira (1)
Aos 50 anos, Francisco Arnaldo Patrício alcançou uma conquista que parecia distante quando chegou a Goiás ainda jovem: tornou-se bacharel em Direito. A formatura ocorreu na segunda-feira (1º), após 18 anos de uma caminhada acadêmica marcada por pausas, dificuldades econômicas e muito trabalho.
Francisco nasceu no interior do Ceará e deixou a região Nordeste em busca de melhores oportunidades. Primeiro, passou dois anos em São Paulo. Sem conseguir se estabelecer, mudou-se para Goiás por volta dos 23 anos, acompanhado de uma irmã.
Quando chegou ao estado, sua escolaridade havia parado na 4ª série do ensino fundamental.
A mudança de vida começou quando percebeu que a falta de estudos dificultava o acesso a empregos melhores. Decidido a mudar essa realidade, voltou para a sala de aula e concluiu o ensino fundamental e o ensino médio.
Aos 32 anos, em 2008, prestou vestibular e conseguiu uma vaga no curso de Direito de uma faculdade particular de Goiânia.
O caminho até o diploma, porém, foi longo.
Francisco precisou conciliar trabalho e faculdade e enfrentou períodos de grande dificuldade financeira. Antes de conquistar estabilidade, chegou inclusive a viver sob uma barraca de lona, enfrentando temporais.
Entre os 11 irmãos, foi o único a prosseguir nos estudos até o nível superior.
De faxineiro a assistente judiciário
A vida profissional também teve papel importante nessa transformação.
Em 2011, Francisco passou em um concurso da Prefeitura e foi cedido ao Estado para trabalhar no Tribunal de Justiça de Goiás. Ele começou a atuar no TJ-GO em 2014, na área de limpeza.
O salário não cobria todas as despesas da graduação. Para conseguir continuar pagando as mensalidades, ele organizava rifas. Colegas do tribunal compravam os números e ajudavam financeiramente.
Ainda assim, em meados de 2013, Francisco precisou interromper temporariamente o curso por causa das dificuldades econômicas.
A pausa foi apenas um intervalo. Ele continuou buscando melhores oportunidades e posteriormente ingressou como assistente judiciário no próprio TJ-GO. Depois, retomou a faculdade e avançou até completar a formação.
O diploma conquistado agora representa uma mudança significativa em relação ao início da trajetória: Francisco se formou em Direito dentro da mesma instituição onde trabalhou na limpeza.
Uma história que inspira colegas
A persistência do servidor também chamou a atenção de quem acompanha sua rotina profissional.
Lidia Souza, juíza auxiliar da Presidência do TJ-GO e chefe de Francisco, considera a trajetória dele um exemplo de determinação. Segundo ela, o servidor conseguiu superar dificuldades financeiras e uma rotina exigente sem abandonar o objetivo de transformar sua história.
Francisco, que é solteiro e não tem filhos, também pretende usar a experiência para incentivar outras pessoas a não desistirem de seus objetivos.
Depois de 18 anos de idas e vindas na faculdade, o sonho iniciado aos 32 anos finalmente virou diploma aos 50.

































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