Goiás, 9 de setembro de 2026
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Banho em lago de Goiânia termina com abordagem da GCM

Ocorrência reacende alerta sobre riscos de entrar na água de parques que não têm balneabilidade

Entrar em um lago de parque para se refrescar pode parecer uma atividade inofensiva, mas os corpos d’água urbanos de Goiânia não foram destinados a esse tipo de uso. A questão voltou ao centro das atenções depois que um homem foi flagrado tomando banho em um lago da capital no sábado (5) e acabou detido pela Guarda Civil Metropolitana.

A ocorrência foi atendida pela Guarda Ambiental, responsável por ações de proteção e fiscalização em áreas verdes e unidades de conservação de Goiânia.

O episódio chama atenção não apenas para as regras dos parques, mas também para perigos que podem ficar escondidos sob a superfície da água.

Lago não é piscina

Os lagos existentes nos parques municipais fazem parte da estrutura ambiental dessas áreas. Por esse motivo, os planos de manejo determinam os usos permitidos e restringem atividades incompatíveis com a preservação.

Em parques como o Areião e o Bosque dos Buritis, o banho não integra as atividades recreativas autorizadas.

A recomendação também se relaciona à segurança. A profundidade dos lagos pode variar, enquanto o fundo pode esconder lama, galhos, plantas e sedimentos. Algumas dessas características não são visíveis a partir da margem.

Um caso parecido aconteceu em abril

A situação registrada neste sábado não é inédita. Em abril, outro homem foi flagrado nadando no Lago das Rosas durante uma chuva forte. Naquele momento, o nível da água estava elevado.

Após o episódio, a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) informou ao Mais Goiás que os lagos dos parques de Goiânia não têm condições de balneabilidade.

O alerta incluía as características do fundo dos lagos e a possibilidade de mudanças bruscas de profundidade. O solo argiloso e o acúmulo de sedimentos também podem dificultar o deslocamento de quem entra na água.

Isso significa que saber nadar não elimina todos os riscos.

Água limpa aos olhos pode esconder contaminação

A aparência também pode enganar. A bióloga Fernanda Flores explica que não é possível determinar a segurança de um lago apenas observando sua água.

Sem testes de balneabilidade, não há como identificar visualmente a presença de determinados microrganismos ou contaminantes.

O problema pode se intensificar após chuvas. A água que escoa pelas ruas e calçadas pode carregar resíduos para os lagos, enquanto contaminantes microbiológicos podem estar presentes sem provocar mudanças perceptíveis na cor ou no odor.

Por isso, água aparentemente limpa não deve ser confundida com água própria para banho.

O antigo balneário do Lago das Rosas

A proibição atual também contrasta com uma parte da história de Goiânia. O Lago das Rosas chegou a funcionar como balneário público em décadas passadas e tinha estrutura destinada às pessoas que utilizavam o local para atividades aquáticas.

Com o passar dos anos, o crescimento urbano e mudanças nas condições ambientais e de segurança fizeram com que essa utilização fosse abandonada.

O antigo trampolim do Lago das Rosas permanece como uma marca desse período. Hoje, entretanto, o lago possui outra finalidade e integra um espaço voltado à convivência, à paisagem e à preservação ambiental.

Pessoas dentro da água também afetam a fauna

O impacto da entrada nos lagos não se limita ao risco de quem decide nadar. A movimentação dentro da água pode deslocar sedimentos, interferir na vegetação e perturbar animais que utilizam esses ambientes.

Segundo Fernanda Flores, os lagos dos parques funcionam como parte de ecossistemas urbanos. Eles podem oferecer abrigo, alimento e áreas de reprodução para diferentes espécies, além de contribuir para o equilíbrio ambiental e a drenagem.

A Guarda Ambiental atua justamente nesse contexto, acompanhando as unidades, orientando visitantes e fiscalizando usos inadequados.

Orientação é respeitar as áreas autorizadas

A ocorrência de sábado reforça a importância de observar placas e demais orientações existentes nos parques.

Atividades aquáticas devem ser realizadas somente em locais preparados e liberados para esse fim. Nos parques de Goiânia onde o banho não é permitido, entrar na água pode representar risco para o próprio frequentador e também causar impactos sobre um ambiente que desempenha funções ambientais dentro da cidade.

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