Política
STF condena Eduardo Bolsonaro e ex-deputado fala em “farsa” em entrevista
Condenação por coação no curso do processo inclui pena de 4 anos e 2 meses; ex-deputado nega ter sido citado e critica decisão em entrevista.
© Lula Marques/ Agência Brasil
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.
Segundo o colegiado, ficou comprovado que o ex-parlamentar atuou para tentar interferir no andamento de uma ação penal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.
O julgamento ocorreu nesta terça-feira (16), na análise da Ação Penal (AP) 2782.
De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo Bolsonaro teria feito declarações públicas e publicações em redes sociais citando articulações com autoridades estrangeiras para a aplicação de sanções contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF.
Durante o processo, a defesa, feita pela Defensoria Pública da União (DPU), afirmou que não houve grave ameaça e que as manifestações estariam protegidas pela atividade política e pela imunidade parlamentar.
O relator, ministro Alexandre de Moraes, rejeitou as preliminares apresentadas e afirmou que a vítima do crime é a administração da Justiça, não os magistrados individualmente. O entendimento foi acompanhado por unanimidade.
No mérito, o relator destacou que as manifestações do ex-deputado ocorreram em paralelo a etapas relevantes da ação penal, indicando tentativa de pressão institucional.
Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto do relator.
Pena e efeitos da decisão
A pena fixada foi de quatro anos e dois meses de reclusão, além de multa. O STF também declarou a inelegibilidade de Eduardo Bolsonaro por oito anos após o cumprimento da pena.
Reação de Eduardo Bolsonaro
Em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan News, o ex-deputado afirmou que não recebeu citação formal no processo e disse que, até então, só teria tomado conhecimento do caso pela imprensa.
Ele também classificou o processo como uma “farsa” e criticou a condução da ação, afirmando que não teria tido oportunidade de se defender adequadamente.


































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