Goiás, 4 de outubro de 2026
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Médica teria mandado manter pacientes internados por voto em Goiânia

Denúncia apresentada ao MPF cita mensagens políticas enviadas em grupo de profissionais do Hospital Célia Câmara e pede apuração.

Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) colocou sob apuração a conduta de uma médica ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, em Goiânia. A representação questiona uma suposta orientação para manter pacientes da enfermaria internados durante o fim de semana das eleições.

A mensagem atribuída à médica foi enviada às 16h58 da sexta-feira (2), em um grupo de WhatsApp utilizado pelos profissionais da unidade. De acordo com a denúncia, a recomendação estaria relacionada à preferência política dos pacientes e determinaria que não fossem concedidas altas no sábado e no domingo.

A publicação veio acompanhada de uma imagem com sinal de positivo e o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme uma gravação de tela e informações divulgadas pelo Mais Goiás, ao menos 12 participantes reagiram à mensagem, utilizando emojis de risada, aprovação e bandeira do Brasil.

Duas outras pessoas se manifestaram diretamente no grupo. Uma delas teria concordado com a orientação, enquanto a outra respondeu com emojis de risada.

Grupo já tinha mensagens de campanha

A representação também cita uma interação ocorrida na noite anterior. Na quinta-feira (1º), a médica teria publicado uma mensagem fazendo referência ao número 22, associado ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).

A publicação teria sido feita às 20h58 e relacionada à avaliação de profissionais no encerramento do rodízio. A mensagem recebeu 16 reações, incluindo coração, continência, bandeira brasileira e sinal de aprovação. Um integrante do grupo também respondeu favoravelmente.

O que diz a denúncia ao MPF

O advogado Alan Henrique Silva Marques apresentou a representação na sexta-feira (2). O material teria sido recebido de um interno de medicina que estava subordinado à médica e que decidiu não revelar sua identidade.

Segundo o relato, o profissional teria se oposto à conduta e procurado medidas para que a situação fosse apurada.

A principal questão apresentada ao MPF é saber se a orientação resultou na manutenção de pacientes no hospital mesmo quando já poderiam receber alta. A denúncia sustenta que, se isso tiver ocorrido, poderia haver constrangimento dos pacientes e prejuízo ao livre exercício do voto.

O documento ainda questiona se a estrutura de um hospital público e a posição ocupada pela médica teriam sido utilizadas para uma finalidade político-eleitoral.

O advogado pediu ao MPF que apure o caso, adote providências para assegurar o direito de voto dos pacientes e responsabilize a profissional se as irregularidades forem confirmadas.

Também foi solicitado que a médica seja chamada para prestar esclarecimentos e que o MPF ou a polícia avaliem a instauração de procedimento investigatório.

Conselho de Medicina acompanha o caso

A reportagem do Mais Goiás procurou Marcella Segato e a Prefeitura de Goiânia para obter posicionamentos sobre a denúncia. Não houve resposta.

O Cremego informou que não comenta denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, uma vez que esses procedimentos tramitam de forma sigilosa.

O conselho confirmou, porém, que já solicitou esclarecimentos à médica e ao responsável técnico pela instituição citada na denúncia.

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