Goiás, 19 de outubro de 2026
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Goiana conquista vaga inédita para quilombolas na diplomacia

Natural de Goiânia e formada pela UFG, candidata estudou em Simolândia e conquistou a vaga destinada a quilombolas; remuneração inicial é de R$ 22,5 mil.

Goiana é a primeira aprovada do Brasil em cota para quilombola para ser diplomata — Foto: Arquivo pessoal

A aprovação de Helen Jaine Gomes Borgens marca um momento inédito na seleção para diplomatas brasileiros: ela é a primeira candidata aprovada na cota destinada à população quilombola. Goiana e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Helen pertence à comunidade quilombola do Retiro, localizada em Simolândia, no nordeste de Goiás.

O edital prevê remuneração inicial de R$ 22,5 mil para a carreira. A confirmação do resultado foi publicada em 23 de junho.

O concurso também foi o primeiro para ingresso na carreira diplomática realizado sob a Lei nº 15.142/2025. Segundo informação do Itamaraty ao g1, a norma prevê reserva de vagas em concursos federais para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas.

Apoio da família ajudou a manter o plano profissional

O interesse de Helen pela diplomacia surgiu ainda durante a preparação para o vestibular, quando um professor a incentivou a considerar essa carreira. Já na universidade, ela chegou a questionar a escolha do curso e cogitou mudar de área.

A mãe teve papel importante nesse momento ao pedir que a filha permanecesse por mais um semestre. Durante esse período, Helen cursou a disciplina de Política Externa Brasileira, que, segundo a assessoria da UFG, renovou seu interesse pelas Relações Internacionais e pelo objetivo de se tornar diplomata.

Ela começou a se preparar para a seleção buscando compreender a dificuldade das provas anteriores. De acordo com a universidade, chegou a imprimir uma delas para avaliar o nível de cobrança.

Preparação ocorreu longe dos grandes centros

Depois de se formar em 2025, Helen retornou a Simolândia para estudar para o concurso. Em relato à UFG, explicou que viver no interior dificultou o acesso a cursos especializados e que precisou aprender inglês e estudar os demais conteúdos exigidos para além da formação básica por conta própria.

A preparação terminou com a aprovação na vaga reservada a quilombolas. Helen celebrou o resultado e manifestou o desejo de alcançar o posto de embaixadora, o mais alto da carreira. Ela também destacou a importância de representar a população quilombola nesse espaço profissional.

Etapas para ingressar na diplomacia brasileira

O concurso de ingresso na carreira diplomática é organizado pelo Instituto Rio Branco, academia vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. A seleção é realizada desde 1996 e exige conhecimentos em diferentes áreas.

O processo inclui provas objetivas e dissertativas. Entre as oito disciplinas cobradas estão História do Brasil, Política Internacional, Economia e Direito. A participação é aberta a brasileiros com diploma de curso superior.

A aprovação no concurso não encerra a formação: os selecionados ainda precisam fazer o Curso de Formação de Diplomatas, que dura de três a quatro semestres. A carreira começa no cargo de terceiro-secretário.

Os profissionais da diplomacia atuam na representação e na defesa dos interesses brasileiros perante governos estrangeiros e organizações internacionais. Para Helen, a conquista abre caminho para exercer essa função e, futuramente, buscar o posto de embaixadora.

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