Goiás
Ex-aluna trans será indenizada após nome civil ser usado em formatura na UFG
Justiça determinou pagamento de R$ 4 mil após nome civil ser anunciado na colação de grau de Mar Dias Rosa
Atriz e professora Mar Dias Rosa – (Foto: arquivo pessoal)
Um erro cometido durante uma formatura da Universidade Federal de Goiás (UFG) terminou com uma condenação por danos morais. A instituição deverá indenizar em R$ 4 mil a atriz e professora Mar Dias Rosa, ex-estudante trans que teve o nome civil anunciado na cerimônia de conclusão do curso de Teatro, em 2022. As informações são do Mais Goiás.
O processo foi encerrado definitivamente em janeiro deste ano. A sentença havia sido publicada em outubro de 2025 e não houve mais possibilidade de recurso após o trânsito em julgado, em 10 de janeiro de 2026. A universidade informou que a União já efetuou o pagamento.
A ação foi apresentada por Mar com um pedido de R$ 25 mil. O valor estabelecido judicialmente, contudo, ficou em R$ 4 mil.
Episódio ocorreu durante colação de grau
O nome social de Mar estava cadastrado no sistema acadêmico da UFG desde 2021. Mesmo assim, durante o momento de chamada dos formandos, foi utilizado o nome registrado civilmente.
Segundo o relato da ex-aluna, a identificação pelo nome civil ocorreu apesar de uma combinação prévia com a direção da universidade para que seu nome social fosse utilizado na cerimônia.
Mar relatou que o episódio provocou constrangimento e agravou seu sofrimento psicológico. Depois da situação, ela afirma ter solicitado apoio psicológico à universidade, mas diz que não conseguiu obter o atendimento durante todo o período em que permaneceu na instituição.
A versão apresentada por Mar também diverge da informação divulgada pela UFG sobre a correção do episódio. A universidade afirma que identificou o problema e se desculpou aproximadamente dois minutos depois do chamamento, convidando a estudante novamente ao palco pelo nome social.
A ex-aluna, por outro lado, afirma que uma amiga percebeu o erro e procurou a responsável pela condução da cerimônia para solicitar a correção.
Universidade cita ações voltadas à comunidade trans
Ao comentar a condenação, a UFG lamentou o episódio e afirmou considerar o respeito às pessoas e aos seus direitos uma prioridade.
A universidade também destacou que mantém, há mais de dez anos, iniciativas direcionadas à comunidade trans. Entre as ações mencionadas estão a adoção do nome social em sistemas e documentos oficiais, políticas de cotas para graduação e pós-graduação e programas de assistência.
A instituição também informou oferecer bolsas de moradia e auxílio a estudantes trans e travestis em situação de vulnerabilidade social. Campanhas de conscientização e iniciativas de enfrentamento à transfobia estão entre as demais medidas citadas.
A UFG também explicou que, no período em que ocorreu a formatura, o sistema não permitia que o diploma impresso fosse emitido utilizando o nome social.
O caso ganhou repercussão pública em agosto de 2026, depois da conclusão das etapas judiciais.




































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