Goiás, 18 de agosto de 2026
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Terra Ronca já perdeu 13 mil hectares para o fogo em 9 dias

Incêndio é considerado o maior em andamento no Brasil e começou antes do período mais crítico para Goiás

O incêndio que atinge o Parque Estadual Terra Ronca, em São Domingos, no Nordeste de Goiás, chegou ao nono dia nesta segunda-feira (17) e já consumiu mais de 13 mil hectares de vegetação.

O Corpo de Bombeiros considera a ocorrência a maior queimada florestal atualmente em andamento no Brasil. A dimensão do fogo preocupa também porque o parque não registrava um impacto dessa proporção desde 2021.

Outro fator de alerta é o início antecipado da temporada de maior risco. Historicamente, setembro e outubro concentram os períodos mais críticos para incêndios na região, mas as condições registradas em 2026 favoreceram o surgimento e a propagação das chamas antes do esperado.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a ação humana é apontada como o principal fator relacionado aos focos atendidos pela corporação. Ventos fortes e a falta de chuva contribuíram para o agravamento do cenário.

Goiás já registrou 4,2 mil ocorrências

O problema não está restrito ao Parque Terra Ronca. Entre janeiro e o início de julho, o Corpo de Bombeiros atendeu 4,2 mil ocorrências de fogo em vegetação e áreas urbanas em Goiás.

A média representa aproximadamente uma ocorrência por hora.

Os incêndios em vegetação correspondem a 9,6% dos atendimentos registrados. Já as ocorrências urbanas representam 90,4%, cerca de 3,8 mil chamados.

Apesar de serem menos numerosas, as ocorrências em áreas de vegetação apresentam maior potencial de propagação e podem provocar impactos ambientais de grande extensão.

Condições climáticas dificultam combate

A estiagem prolongada, as altas temperaturas, a baixa umidade do ar, os ventos intensos e o volume de vegetação seca formam um cenário favorável para o avanço do fogo.

No Terra Ronca, as equipes ainda enfrentam dificuldades relacionadas às características da região. Os ventos podem alterar rapidamente o comportamento das chamas, enquanto determinados tipos de vegetação favorecem incêndios de maior intensidade.

O terreno também impõe obstáculos. Áreas arenosas tornam o deslocamento dos profissionais mais desgastante, especialmente durante operações prolongadas.

As altas temperaturas são outro desafio para o combate direto, que exige a aproximação das equipes das áreas atingidas pelo fogo.

Uso do fogo está proibido

Desde 24 de julho, está em vigor em Goiás o Decreto Estadual nº 10.962, que suspendeu o uso do fogo em vegetação durante o restante de 2026 devido ao elevado risco de incêndios florestais.

A determinação exige atenção principalmente em áreas rurais e locais com vegetação seca. Práticas que possam produzir fontes de ignição devem ser evitadas.

O uso irregular do fogo pode resultar em pena de dois a quatro anos e multa.

A recomendação é não utilizar queimadas para limpeza de terrenos, pastagens ou áreas urbanas. A orientação também vale para práticas tradicionais de manejo que envolvam fogo.

Em caso de qualquer sinal de incêndio, a população deve acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193.

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