Goiás
Homens são maioria entre casos de sífilis em Goiás
Infecção também foi identificada em 127 crianças de 10 a 14 anos; Goiânia soma 2.772 registros neste ano.
O número de diagnósticos de sífilis em Goiás chegou a 7.783 em 2026, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). A maior parte dos registros está entre homens, que representam 62,89% dos casos, enquanto as mulheres correspondem a 37%.
A doença também aparece em grupos que exigem atenção especial dos serviços de saúde. Neste ano, Goiás registrou 2.613 casos de sífilis em gestantes e 482 de sífilis congênita, além de um óbito relacionado à forma congênita.
Segundo Ana Paula Vieira de Deus, coordenadora de Apoio Estratégico em Atenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e Agravos Transmissíveis da SES-GO, o aumento dos diagnósticos acompanha uma tendência registrada no país.
A expansão dos testes rápidos ajudou a ampliar a identificação das infecções, mas a Secretaria aponta que o cenário também está relacionado à falta de conhecimento sobre a doença, à prevenção insuficiente, ao início precoce da vida sexual e às dificuldades para completar o tratamento.
O cuidado com as parcerias sexuais é outro ponto considerado fundamental para conter a transmissão e evitar novos diagnósticos após o tratamento.
Crianças e adolescentes entram no alerta
A maior concentração de casos ocorre entre pessoas de 20 a 35 anos, mas a SES-GO também monitora ocorrências entre faixas etárias mais velhas e, especialmente, entre adolescentes e crianças.
Em 2026, foram identificados 127 casos em crianças de 10 a 14 anos.
Quando a sífilis é diagnosticada nessa idade, os serviços de saúde devem avaliar se existe relação com uma transmissão congênita e investigar a possibilidade de violência sexual. Para menores de 14 anos, uma eventual alegação de consentimento não afasta a caracterização de violência sexual.
Para a coordenadora da SES-GO, os registros reforçam a necessidade de ampliar o acesso de adolescentes e jovens à informação, à prevenção e ao diagnóstico.
Histórico mostra crescimento entre gestantes
Os números acumulados também evidenciam o impacto da doença durante a gravidez. Entre 2021 e julho de 2026, Goiás notificou 17.319 casos de sífilis em gestantes e 2.743 casos congênitos.
A taxa de detecção entre gestantes subiu de 27,7 para 43,5 casos por mil nascidos vivos entre 2021 e 2025. Somente em 2025 foram 3.879 notificações, maior volume do período analisado.
A maioria das gestantes diagnosticadas entre 2021 e 2026 tinha de 20 a 34 anos, faixa que corresponde a 71,9% dos registros. Outras 20,6% tinham entre 15 e 19 anos.
No mesmo intervalo, 91,7% dos recém-nascidos relacionados aos casos de sífilis congênita sobreviveram. Foram registrados ainda 130 casos de aborto ou natimortalidade e 67 óbitos.
A transmissão durante a gestação pode provocar consequências graves. Entre os possíveis problemas estão prematuridade, alterações oculares, cegueira, surdez e alterações ósseas, além de aborto.
Infecção não desaparece sem tratamento
A sífilis pode apresentar inicialmente lesões ou manchas na pele e permanecer sem manifestações evidentes. Sem tratamento, porém, a bactéria pode atingir órgãos importantes, incluindo cérebro, coração e ossos.
De acordo com a SES-GO, sequelas provocadas pela infecção podem permanecer mesmo depois do tratamento. Além disso, manifestações graves podem surgir muitos anos após a infecção, chegando a até quatro décadas depois do contágio inicial.
Em 2026, os 482 casos de sífilis congênita registrados em Goiás incluem um óbito.
Capital já soma 2.772 registros
Goiânia concentra parte significativa dos diagnósticos contabilizados no Estado. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foram registrados 2.642 casos de sífilis adquirida e 130 casos de sífilis congênita na capital em 2026.
O total chega a 2.772 ocorrências.
A classificação adquirida é usada para os casos encontrados na população em geral. A sífilis em gestante corresponde à infecção identificada durante a gestação, parto ou puerpério, enquanto a forma congênita ocorre quando a bactéria é transmitida para o bebê.
Testagem pode ser feita gratuitamente
A população pode realizar o teste rápido gratuitamente nas unidades básicas de saúde e em serviços hospitalares.
A recomendação da SES-GO é que pessoas com vida sexual ativa façam o exame ao menos uma vez. Em situações de maior vulnerabilidade, a frequência deve ser maior. Para pessoas com múltiplas parcerias, profissionais do sexo e outros grupos nessa condição, a orientação é realizar a testagem pelo menos a cada seis meses.
O tratamento é feito principalmente com penicilina benzatina e varia conforme o estágio clínico da doença. Pode ser necessário apenas uma dose ou um esquema de aplicações ao longo de três semanas.
A infecção tem cura, mas o tratamento não impede que uma nova exposição provoque outro diagnóstico. Por isso, também é necessário tratar as parcerias sexuais.
O Estado oferece gratuitamente preservativos internos e externos e gel lubrificante. Como a doença pode não apresentar sintomas, os métodos de prevenção devem ser utilizados mesmo quando a parceria aparenta estar saudável.
Para gestantes diagnosticadas, a orientação inclui o atendimento da parceria sexual, com investigação e tratamento quando indicado.


































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