Goiás, 2 de setembro de 2026
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Diversidade

Mulheres são alvo de propostas, mas ficam fora do poder, diz estudo

Levantamento do Instituto Update com 12 candidaturas à Presidência aponta concentração em violência, saúde e cuidado e pouca atenção à participação política

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As mulheres aparecem com frequência nos programas das candidaturas à Presidência da República, mas ainda ocupam pouco espaço quando o assunto é participação nas decisões e acesso a posições de poder. É o que aponta um levantamento do Instituto Update que analisou propostas de 12 candidatos ao Palácio do Planalto.

A pesquisa identificou maior concentração de medidas relacionadas a violência, saúde e políticas de cuidado. Em contrapartida, temas como participação política, segurança nos espaços públicos e autonomia aparecem de forma menos abrangente.

A análise levou em consideração somente propostas que mencionam as mulheres de maneira explícita. Medidas gerais nas áreas de saúde, educação, emprego, transporte ou segurança não foram automaticamente classificadas como políticas voltadas ao público feminino.

O instituto também alerta que mencionar determinado assunto no programa não significa necessariamente apresentar uma política estruturada. Em parte das candidaturas, há referências aos problemas enfrentados pelas mulheres, mas sem detalhamento sobre execução, metas, instrumentos ou integração com outras políticas públicas.

Mulheres aparecem pouco nas propostas sobre poder

Um dos principais pontos levantados pelo estudo é a diferença entre criar políticas para mulheres e permitir que elas participem da formulação das decisões políticas.

Dados da pesquisa Mulheres em Diálogo, realizada pelo Instituto Update em 2025, mostram que 72% das entrevistadas concordam plenamente com o aumento da presença feminina em cargos políticos.

Mesmo assim, somente um dos 12 candidatos analisados apresentou uma proposta específica voltada à participação político-eleitoral das mulheres. O programa inclui medidas de enfrentamento à violência política de gênero, formação de candidatas e lideranças e regras relacionadas ao financiamento partidário.

Quando o conceito é ampliado para a presença feminina em cargos de liderança e decisão, outro candidato passa a integrar esse grupo, com propostas de incentivo à liderança de mulheres e compromisso de indicar mulheres para vagas abertas no Supremo Tribunal Federal.

Para o Instituto Update, existe uma diferença entre o reconhecimento das mulheres sobre sua capacidade de contribuir para políticas públicas e a importância dada a essa participação nos programas presidenciais.

Um levantamento realizado em 2026 pelo Instituto Update em parceria com o Instituto Fogo Cruzado ajuda a dimensionar essa questão. Segundo a pesquisa Mulheres, Polícia e Facções, 70% das mulheres concordam total ou parcialmente que elas próprias têm melhores ideias e soluções para a segurança pública.

Violência é o tema mais presente

Entre os assuntos analisados, a violência contra as mulheres é o que aparece em mais programas.

Dos 12 planos avaliados, nove, o equivalente a 75%, apresentam propostas específicas sobre violência contra mulheres, feminicídio ou proteção às vítimas. Quando também são consideradas medidas sobre violência doméstica sem necessariamente estabelecer um recorte de gênero, o número sobe para dez programas.

As soluções apresentadas variam entre as candidaturas. Entre as medidas estão ampliação de redes de proteção e casas-abrigo, integração entre órgãos de segurança, Justiça, saúde e assistência social, monitoramento eletrônico de agressores, medidas protetivas e mudanças na legislação penal.

O levantamento, porém, identifica uma lacuna: a segurança das mulheres é frequentemente tratada a partir da violência e da resposta policial ou judicial, mas aparece menos relacionada à forma como elas circulam pela cidade.

Apenas um candidato, segundo o estudo, estabelece uma relação explícita entre segurança feminina, mobilidade e transporte urbano.

A pesquisa Mulheres, Polícia e Facções aponta que 79% das mulheres têm medo de sair à noite. Além disso, 59% afirmaram já ter deixado de frequentar determinados locais por insegurança, enquanto 31,4% disseram ter deixado de utilizar algum meio de transporte pelo mesmo motivo.

Entre os fatores citados pelas mulheres estão iluminação, transporte, prevenção da violência de gênero, cuidado com áreas abandonadas e fortalecimento das redes comunitárias.

Autonomia econômica aparece em 7 programas

A autonomia financeira também está presente em mais da metade dos programas analisados.

Sete dos 12 planos, ou 58%, apresentam medidas específicas envolvendo trabalho, renda, crédito, empreendedorismo ou independência econômica das mulheres. Em cinco deles, também há propostas relacionadas à igualdade salarial entre homens e mulheres.

A pauta tem forte apoio entre as entrevistadas da pesquisa Mulheres em Diálogo. Em 2025, 94% concordaram que homens e mulheres devem receber o mesmo salário quando ocupam cargos equivalentes.

Os programas, entretanto, apresentam diferentes caminhos para alcançar essa autonomia.

Alguns associam o tema a emprego, direitos trabalhistas, proteção social e oferta de creches. Outros dão maior importância ao crédito, empreendedorismo, educação financeira e formação de patrimônio.

Para o Instituto Update, há uma convergência sobre a necessidade de ampliar a autonomia econômica feminina, mas não existe a mesma visão sobre quais políticas devem ser utilizadas para alcançar esse objetivo.

Cuidado também ganha espaço

As políticas de cuidado aparecem de forma explícita em sete dos 12 planos analisados.

Em algumas propostas, creches e serviços de cuidado são tratados como políticas públicas capazes de liberar tempo das mulheres, facilitar sua entrada ou permanência no mercado de trabalho e reduzir desigualdades.

Outros programas relacionam o cuidado principalmente à maternidade, à família e à divisão das responsabilidades domésticas.

Também existem propostas para ampliar a oferta de serviços públicos destinados ao cuidado como forma de diminuir a sobrecarga que recai sobre as mulheres.

Apesar das diferenças, o estudo identifica um ponto comum: os programas reconhecem que a distribuição das tarefas de cuidado interfere diretamente na autonomia feminina.

A divergência está principalmente sobre quem deve assumir essa responsabilidade e qual deve ser o papel do Estado.

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