Goiás, 21 de outubro de 2026
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Quadrilha falsificava contratos de terrenos de compradores mortos em Goiás

Suspeitos teriam usado dados de proprietários mortos, documentos envelhecidos artificialmente e procurações com declarações falsas para viabilizar escrituras.

Terrenos comprados e quitados há mais de 20 anos estão no centro de uma investigação sobre fraudes imobiliárias em Aparecida de Goiânia. A Polícia Civil realizou, na segunda-feira (19), uma operação para avançar na apuração de um esquema em que documentos falsos teriam sido usados para transferir propriedades e permitir a revenda dos imóveis.

A suspeita é de que os integrantes do grupo escolhiam terrenos cujos compradores originais já haviam morrido sem que a transferência formal da propriedade fosse concluída. Com acesso a dados pessoais e certidões de óbito, eles elaborariam contratos que simulavam acordos supostamente firmados pelos antigos proprietários enquanto ainda estavam vivos.

Um dos métodos investigados chama a atenção pelo uso de recursos para imitar documentos antigos. Conforme a apuração policial, os contratos eram feitos com máquinas de escrever e submetidos a procedimentos artificiais para aparentar maior idade.

Documentos davam aparência de legalidade ao golpe

A investigação aponta que o esquema não se limitava à falsificação dos contratos. Os suspeitos também teriam recorrido a procurações supostamente lavradas em cartórios do Maranhão e do Pará para solicitar às incorporadoras autorizações necessárias à emissão das escrituras definitivas.

Embora os documentos aparentassem ter origem pública regular, a Polícia Civil identificou suspeitas de declarações falsas em seu conteúdo.

Depois dessa etapa, os imóveis seriam transferidos para pessoas utilizadas como laranjas, entre elas pessoas em situação de rua. As propriedades eram posteriormente revendidas, e alguns compradores poderiam desconhecer que os terrenos haviam sido negociados com base em documentos fraudulentos.

Segunda fase busca outros envolvidos e possíveis vítimas

A operação está na segunda fase e pretende ampliar o levantamento sobre a atuação da organização. Entre os objetivos estão identificar outros suspeitos, descobrir quais imóveis foram transferidos irregularmente e encontrar possíveis novas vítimas.

Na ação, a Polícia Civil recolheu contratos com indícios de falsidade ideológica, mapas de loteamentos do município e uma máquina de escrever antiga.

Os itens apreendidos passarão por análise para ajudar a estabelecer relações entre os investigados e verificar se existem outras transações sob suspeita. A corporação também apura como documentos formalmente apresentados como públicos, mas com conteúdo supostamente falso, teriam sido utilizados para dar legitimidade às transferências.

 

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