Goiás, 23 de setembro de 2026
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Menino de 10 anos é atingido por três tiros na cabeça em Goiás

Polícia investiga tentativa de homicídio e aponta contradições nas versões apresentadas após a criança ser atingida por três tiros.

Uma investigação da Polícia Civil levou à prisão de três pessoas após um menino de 10 anos ser baleado na cabeça, em Palmeiras de Goiás, no oeste do estado. A mãe e o padrasto da criança estão entre os detidos. O terceiro preso é um fazendeiro que morava com o casal.

A criança foi atingida por uma arma de pressão. O caso, inicialmente apresentado como um possível acidente, passou a ser tratado pela polícia como tentativa de homicídio qualificado.

O delegado André Veloso informou que a investigação identificou três disparos contra o menino. Dois atingiram a região frontal da cabeça. O outro entrou pela lateral e atravessou até alcançar o cérebro, provocando o ferimento considerado mais grave.

Investigação encontrou contradições

A polícia também passou a investigar a movimentação do padrasto no horário em que o menino foi baleado.

O homem afirmou aos investigadores que havia saído de casa por volta do meio-dia para visitar uma propriedade vizinha e que, por isso, não estava presente quando o disparo ocorreu.

A versão, no entanto, chamou a atenção dos investigadores porque a visita aconteceu em um intervalo muito próximo ao momento em que a criança foi atingida. Segundo a Polícia Civil, o padrasto costumava avisar previamente quando iria à propriedade, o que não teria ocorrido naquela ocasião.

Para o delegado, a circunstância levantou a possibilidade de que a ida à fazenda tenha sido utilizada para construir uma versão que o colocasse longe do local do crime.

Dono da fazenda também entrou na investigação

O fazendeiro preso morava com a família e, conforme a polícia, mantinha uma relação próxima com o padrasto do menino, a quem considerava como filho afetivo.

A atuação dele no momento em que a Polícia Militar chegou à residência também passou a ser analisada.

Segundo a investigação, o homem teria impedido os policiais de conversar com a mãe da criança sob a justificativa de que ela estava abalada emocionalmente.

Para a Polícia Civil, essa e outras circunstâncias reuniram elementos suficientes para que a Justiça autorizasse a prisão temporária, diante da possibilidade de envolvimento no crime ou de interferência na apuração.

Os três investigados ficarão presos temporariamente por 30 dias. Nesse período, os investigadores pretendem esclarecer qual teria sido a participação de cada um.

Criança já seria vítima de agressões

A investigação também revelou relatos de vizinhos sobre possíveis agressões anteriores contra o menino.

Moradores contaram à polícia que a criança seria submetida a castigos físicos com frequência, principalmente com cintadas. Os relatos mencionam marcas nos braços, no tronco e nas pernas.

No dia em que ocorreu o disparo, vizinhos disseram ter ouvido o menino gritar e chamar pela mãe. Eles afirmaram ainda que foram até a residência naquele momento e encontraram a criança caída e sem condições de gritar.

A mãe apresentou uma versão diferente à polícia. Conforme o delegado, ela disse que os gritos teriam ocorrido somente depois dos disparos.

A Polícia Civil considera descartada a hipótese de tiro acidental e continua investigando o caso como tentativa de homicídio qualificado.

Até a última atualização, as defesas dos suspeitos não haviam sido localizadas.

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