Política
Anápolis paga R$ 27 milhões a servidores afastados por doença
Prefeitura encontrou casos que considera suspeitos e vai investigar licenças médicas de funcionários que continuaram trabalhando em outros cargos públicos
(Foto: Paulo de Tarso/ Prefeitura de Anápolis)
Uma auditoria aberta pela Prefeitura de Anápolis colocou sob análise o afastamento de milhares de servidores municipais por motivos de saúde. Somente em 2025, 4.550 funcionários, de um total de 7.605 servidores ativos, tiveram algum período de licença médica. O número corresponde a 58,8% do quadro municipal. As informações são do Mais Goiás.
O levantamento também trouxe atenção para o impacto financeiro dos afastamentos. A folha de pagamento da prefeitura é estimada em R$ 54 milhões mensais e, segundo a administração, aproximadamente R$ 27 milhões desse montante foram pagos a servidores que estavam afastados por licença médica.
A prefeitura reconhece que a quantidade de licenças não é suficiente para caracterizar irregularidades. Doenças e incapacidades devidamente comprovadas podem justificar os afastamentos previstos na legislação.
O que motivou a ampliação da auditoria foram situações específicas encontradas durante a análise dos registros.
Servidores são investigados por possível incompatibilidade
Um dos casos envolve um médico concursado que, conforme levantamento divulgado pela TV Anhanguera, está afastado da função municipal desde 2024. Durante esse período, ele teria recebido mais de R$ 360 mil em pagamentos da Prefeitura de Anápolis sem exercer o cargo.
A apuração aponta ainda que, enquanto permanecia licenciado no município, o médico seguia trabalhando em uma função vinculada ao governo federal. O salário nesse cargo seria superior a R$ 20 mil mensais.
A auditoria também identificou a situação de um professor da rede municipal. O servidor estaria afastado desde 2025 e teria acumulado cerca de R$ 265 mil recebidos durante a licença médica. Ao mesmo tempo, segundo o levantamento, ele continuava exercendo atividades em um cargo público estadual remunerado.
A questão central analisada pela prefeitura não é simplesmente a existência de dois vínculos públicos. A legislação permite a acumulação de cargos em determinadas situações. A suspeita é de uma possível incompatibilidade entre a incapacidade reconhecida para o exercício da função municipal e a continuidade do trabalho em outra estrutura do poder público.
O que prevê a regra para afastamentos
De acordo com o Estatuto dos Servidores de Anápolis, a licença médica pode se estender por até dois anos. Durante esse período, o servidor precisa passar por avaliações periódicas realizadas pela junta médica oficial.
Se a incapacidade permanecer depois do prazo previsto, o funcionário pode ser aposentado por invalidez ou ser submetido à readaptação, caso exista uma função compatível com suas condições de saúde.
Prefeitura quer responsabilizar envolvidos
O prefeito Márcio Corrêa afirmou à TV Anhanguera que a análise será aplicada a todos os afastamentos e que os procedimentos administrativos já começaram.
A intenção da prefeitura é instaurar processos disciplinares quando forem identificadas possíveis infrações. Caso fique comprovado que houve pagamentos indevidos, a administração também pretende cobrar a devolução dos recursos.
Os casos deverão ser encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Civil, que poderão conduzir as investigações dentro de suas respectivas atribuições.
A prefeitura também pretende verificar a conduta dos profissionais responsáveis pela concessão das licenças consideradas suspeitas. A avaliação, segundo a administração, deve alcançar todos os envolvidos no processo.
O município afirma ainda que pretende manter um controle permanente sobre os afastamentos médicos para evitar novas situações irregulares.
Até o momento, os nomes dos servidores envolvidos nas apurações não foram divulgados. As investigações continuam em andamento.
Espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Anápolis.



































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