Goiás, 13 de outubro de 2026
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Jovens com deficiência visual passam na OAB-GO de primeira

Maria Vitória e Laura chegaram à carteira profissional depois de vencerem a primeira tentativa no Exame de Ordem e utilizarem recursos de acessibilidade

A advocacia de Goiás ganhou duas novas profissionais com deficiência visual. Maria Vitória Gomes da Silva, de 24 anos, e Laura Soares Ferreira, de 23, foram aprovadas na primeira tentativa do Exame de Ordem e receberam o registro profissional durante uma sessão solene da OAB-GO, em 28 de setembro.

A cerimônia ocorreu na sede da instituição e foi conduzida pelo presidente da Seccional, Rafael Lara Martins.

As histórias das duas profissionais têm pontos em comum que só ficaram evidentes quando elas chegaram à solenidade. Maria Vitória nasceu em Goianésia e Laura é de Rubiataba. Embora não se conhecessem pessoalmente antes da aprovação, ambas escolheram Direito Penal para a segunda fase da prova.

Outro detalhe chamou atenção: as duas tiveram de produzir uma resposta à acusação na etapa prático-profissional.

Recursos diferentes para fazer a mesma prova

A preparação e a realização do exame exigiram adaptações específicas para cada uma.

Maria Vitória utilizou recursos de tecnologia assistiva. Laura contou com ledor e transcritor durante a aplicação da prova. Mesmo com estratégias diferentes, ambas obtiveram notas expressivas nas questões discursivas.

A deficiência visual de Maria Vitória está presente desde o nascimento, em razão de um glaucoma congênito. Ela foi alfabetizada em braile e frequentou escola regular durante toda a educação básica. Para estudar e trabalhar com conteúdos digitais, utiliza programas leitores de tela, que transformam textos em áudio.

A advogada concluiu a graduação em dezembro e já havia buscado experiência prática antes de terminar o curso. Entre os locais em que estagiou estão uma delegacia de polícia e o Ministério Público de Goiás.

Agora, com a carteira profissional, Maria Vitória pretende dividir sua atuação entre o Direito Criminal e o Direito Civil.

Baixa visão levou Laura a mudar forma de estudar

No caso de Laura, a baixa visão é consequência da retinose pigmentar, uma alteração degenerativa da retina. A condição dificulta a leitura de caracteres pequenos e reduz a capacidade de enxergar em ambientes pouco iluminados.

A solução encontrada durante a graduação foi adaptar os materiais e a rotina de estudos. Laura passou a utilizar um iPad com alto contraste, letras ampliadas e a ferramenta VoiceOver, deixando os livros impressos em segundo plano.

Para chegar preparada ao exame, manteve uma rotina de resolução de questões e estudou a legislação tanto por leitura quanto por áudio.

Na preparação para a segunda fase, fez um curso específico e contou ainda com a participação da mãe. Como a prova permitia apenas o Vade Mecum impresso para consulta, ela ajudou a fazer as marcações e acompanhou os exercícios de elaboração das peças processuais.

Laura já está inserida na advocacia dativa e passou a integrar oficialmente os quadros da advocacia goiana após a cerimônia.

Representatividade na advocacia

Ao receber as duas novas profissionais, a OAB-GO destacou a importância de ampliar a representatividade e garantir acessibilidade na carreira jurídica.

Rafael Lara Martins afirmou, durante a solenidade, que a Seccional tem orgulho de contar com Maria Vitória e Laura entre suas advogadas e que a instituição pretende apoiá-las no exercício profissional e na defesa de seus direitos.

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