Goiás, 30 de outubro de 2026
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UEG identifica 17 lendas urbanas em Goiânia; veja os lugares

Pesquisa reúne histórias de assombrações, passagens secretas e aparições ligadas a pontos conhecidos da capital, como o Teatro Goiânia e o Cemitério Santana.

(Foto: Reprodução/Prefeitura de Goiânia)

Goiânia guarda histórias que atravessam gerações e transformam prédios, escolas e espaços públicos em cenários de mistério. Uma pesquisa da Universidade Estadual de Goiás (UEG) identificou 17 lendas urbanas relacionadas à capital, com relatos de fantasmas, vozes inexplicáveis e passagens subterrâneas cuja existência não foi comprovada.

Entre os endereços citados estão o Centro Cultural Martim Cererê, o Teatro Goiânia, o Cemitério Santana, o Colégio Santa Clara e o edifício Parthenon Center. As narrativas fazem parte da memória popular e ganharam diferentes versões ao longo do tempo.

O levantamento foi desenvolvido pelo historiador Luiz Felipe Pereira Nunes para a pesquisa Pelas ruas de Goiânia: evocando lendas urbanas como patrimônio imaterial (2000-2023), apresentada em dezembro de 2024 ao Mestrado Profissional em Estudos Culturais, Memória e Patrimônio da UEG. Ao todo, o trabalho reuniu 32 narrativas de Goiás, das quais 17 estão ligadas à capital.

A investigação buscou entender como essas histórias surgiram, foram transmitidas entre gerações e passaram a ser associadas a determinados lugares. Os relatos sobrenaturais não foram tratados como acontecimentos comprovados. Com o Halloween, celebrado em 31 de outubro, a proposta também abre espaço para conhecer os endereços que alimentam o imaginário dos moradores.

Martim Cererê e Teatro Goiânia estão entre os cenários

O Centro Cultural Martim Cererê, no Setor Sul, é um dos lugares mais conhecidos nas narrativas catalogadas. Instalado em antigas caixas-d’água da Saneago, transformadas em teatros na década de 1980, o espaço aparece em uma história que atribui aos reservatórios o uso como local de tortura durante a ditadura militar.

Há relatos de pessoas que dizem ter ouvido gritos, vozes e portas batendo sem explicação. Entretanto, a alegação de que o local teria funcionado como centro de tortura não foi comprovada documentalmente.

O Teatro Goiânia também integra o conjunto de histórias. Uma delas atribui aparições a antigos trabalhadores que supostamente permaneceriam nos bastidores. Outra menciona um túnel subterrâneo que ligaria o teatro ao Palácio das Esmeraldas, mas a pesquisa não confirmou a existência dessa passagem.

Passageiro fantasma e histórias de cemitérios

O Cemitério Santana, na Avenida Independência, aparece em uma lenda sobre uma carona que termina de maneira inexplicável. Na narrativa, um motorista encontra uma pessoa nas proximidades do cemitério e oferece transporte. Durante o trajeto, o passageiro desaparece.

A história circula em diferentes versões, nas quais a figura misteriosa pode ser um homem, uma mulher ou até uma criança.

Colégio Santa Clara tem relatos de freira fantasma

No bairro de Campinas, o Colégio Santa Clara é associado a histórias sobre uma religiosa que teria morrido na piscina da instituição. Segundo a lenda, a freira continuaria aparecendo no local. Outro relato descreve um quadro religioso cujos olhos pareceriam acompanhar quem passa pelos corredores.

Já o Parthenon Center, na Rua 4, ganhou fama de prédio mal-assombrado por narrativas sobre supostas mortes e aparições de pessoas que teriam falecido no edifício. Os episódios fazem parte do imaginário popular, mas não foram comprovados pela pesquisa.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) também aparece no levantamento. Uma das histórias diz que o historiador e padre Luís Palacín continuaria sendo visto na Faculdade de História mesmo após a morte.

Outros relatos envolvem uma criança chamada Pitiba, associada a uma casa na Rua 57, e uma mulher vestida de branco que supostamente apareceria perto da antiga fábrica Leite Gogó, no Setor Fama.

Setor Central concentra seis das 17 lendas

O mapeamento identificou seis narrativas associadas a endereços do Setor Central. Outras quatro estão relacionadas a regiões antigas da cidade, entre elas Campinas, Setor Fama e Setor Coimbra.

A pesquisa também catalogou histórias ligadas a um antigo hospital próximo ao Parque Areião, a um edifício abandonado na Rua 2 e a uma residência localizada na Rua 228, no Setor Coimbra.

Para o pesquisador, as lendas ajudam a entender como os moradores constroem e transmitem a memória de Goiânia. O trabalho também deu origem ao guia Histórias para não dormir, que apresenta a possibilidade de organizar os endereços em um roteiro de turismo cultural.

A proposta é explorar os locais e suas histórias como manifestações da cultura popular, sem apresentar as supostas assombrações como fatos comprovados.

Série vai explorar as lendas e seus endereços

Uma série especial do Mais Goiás pretende apresentar individualmente os locais relacionados às narrativas. As reportagens abordarão as histórias contadas pelos moradores, os registros históricos disponíveis e as informações identificadas pela pesquisa da UEG.

Entre os temas previstos estão os relatos de gritos no Martim Cererê, o suposto túnel do Teatro Goiânia, o passageiro fantasma do Cemitério Santana, a freira do Colégio Santa Clara e a fama de assombração do Parthenon Center.

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