Goiás, 28 de outubro de 2026
Conecte-se conosco

Goiás

Goiânia lidera registros de pessoas em situação de rua em Goiás

Estado contabiliza 5.937 pessoas nessa condição em 144 municípios; na capital, serviços sociais atendem diariamente a população vulnerável e a PM relata demolições de imóveis abandonados

Canva

Goiânia reúne quase uma em cada quatro pessoas em situação de rua registradas em Goiás. São 1.482 cadastros na capital, que concentra 24,9% do total estadual de 5.937 pessoas identificadas em levantamento da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds).

O estudo, solicitado pelo Mais Goiás, utiliza dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. Ao todo, foram encontrados registros em pelo menos 144 dos 246 municípios goianos, o equivalente a 58,8% das cidades do estado.

O número atribuído à capital supera em cerca de 37% a estimativa informada pela prefeitura à reportagem, inferior a mil pessoas. Já em relação à pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG), publicada em 2019, o total atual é aproximadamente 22% menor. Na ocasião, o estudo apontou cerca de 1,9 mil pessoas em situação de rua em Goiânia.

Quais cidades têm mais registros?

Aparecida de Goiânia ocupa a segunda posição, com 612 pessoas cadastradas, seguida por Rio Verde, com 448. Formosa aparece com 238 registros, Anápolis com 175 e Itumbiara com 149. Catalão tem 142, Trindade soma 110 e Senador Canedo, 109.

Veja outros números divulgados no levantamento:

  • Cristalina: 107
  • Águas Lindas de Goiás: 95
  • Caldas Novas: 87
  • Santo Antônio do Descoberto: 82
  • Alto Paraíso de Goiás: 82
  • Valparaíso de Goiás: 71
  • Cidade Ocidental: 66
  • Goianésia: 52
  • Goianira: 43
  • Hidrolândia: 38
  • Jaraguá: 36
  • Inhumas: 32
  • Itaberaí: 32
  • Uruaçu: 28
  • Cidade de Goiás: 25
  • Quirinópolis: 22
  • Ipameri: 20
  • Abadiânia: 19
  • Castelândia: 18
  • São Luís de Montes Belos: 15
  • Bela Vista de Goiás: 15
  • Santa Helena de Goiás: 12
  • Aragarças: 8
  • Iporá: 8
  • Itapaci: 7
  • Acreúna: 6
  • Abadia de Goiás: 6

Outros municípios têm apenas um ou dois registros, conforme os dados apresentados.

Como funciona o atendimento em Goiânia?

Na capital, a assistência à população em situação de rua é organizada pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS), sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (SEMASDH).

A rede municipal conta com o Centro Pop e duas Casas de Acolhida Cidadã. Os espaços oferecem refeições gratuitas e abrigo temporário para pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo a SEMASDH, o Centro Pop recebe, em média, 150 pessoas por dia.

No âmbito estadual, o programa De Volta Para Casa permite que pessoas em situação de extrema vulnerabilidade procurem espontaneamente a Seds para obter auxílio no retorno à cidade ou ao estado de origem. O governo também repassa recursos para ações sociais municipais. Goiânia recebeu R$ 6 milhões ao longo de 2025.

PM identificou 40 imóveis e estruturas abandonadas

Além do atendimento social, a ocupação de imóveis sem uso é alvo de ações de segurança e fiscalização na capital. Um levantamento da Polícia Militar identificou 40 estruturas abandonadas na área do 38º Batalhão, que abrange 64 bairros. Segundo a corporação, os locais eram utilizados como abrigo por pessoas em situação de rua, usuários de drogas e pessoas envolvidas em atividades criminosas.

Campinas, Centro, Setor Universitário e Setor dos Funcionários estão entre as regiões com maior concentração desses espaços, conhecidos como mocós. Na área do Dergo, aproximadamente dez barracas abandonadas, apontadas pelo comando do batalhão como utilizadas por pequenos traficantes, foram removidas em uma operação conjunta com a prefeitura.

O relatório policial foi elaborado no fim de 2025 e reuniu informações sobre ocorrências. A partir dele, foram sugeridas demolições ou notificações aos proprietários. A Defesa Civil avalia as condições das construções, já que algumas apresentam problemas estruturais e podem oferecer riscos a quem as utiliza.

Desde o levantamento, cerca de dez estruturas foram demolidas em ações da prefeitura com apoio do 38º BPM. Entre os pontos citados estão o banheiro da Praça do Trabalhador e dois imóveis na Rua 74, além de construções no Dergo, no Setor Universitário e no Setor dos Funcionários. A previsão informada era de novas intervenções ainda em 2026.

Prédios abandonados também estão no radar

Uma antiga escola de implantes odontológicos no Setor Central entrou na lista de locais vistoriados. No imóvel, foram encontrados materiais e aparelhos de raio-X de alto valor. Após um alerta da Polícia Militar sobre um possível risco de contaminação por radiação, a prefeitura realizou uma intervenção em agosto. Nenhum aparelho radioativo foi localizado.

Outro caso envolve uma edificação inacabada na esquina da Avenida Araguaia com a Rua 2, no Centro. O prédio estava sem uso havia cerca de 25 anos e era alvo de ocupações irregulares. Na semana anterior ao relato, o município autuou o proprietário após uma operação da PM com a Guarda Civil Metropolitana.

A previsão era fechar o acesso ao imóvel com um muro alto e concertina. Como a estrutura pode ser aproveitada, a medida não prevê demolição.

PM relaciona intervenções à queda de mortes violentas

O tenente-coronel Johnathan Tarley, comandante do 38º BPM, afirmou que a unidade registrava, em média, dois homicídios por mês na região. Segundo ele, parte das ocorrências envolvia pessoas em situação de rua e pequenos traficantes que utilizavam imóveis abandonados como abrigo ou pontos de venda de drogas.

De acordo com o comandante, o Setor Central ficou cerca de dois meses sem mortes violentas após as demolições. Ele relaciona o resultado às ações de prevenção e ao enfrentamento dos fatores de risco associados à criminalidade.

Tarley também mencionou a Patrulha da Dignidade, iniciativa que encaminha pessoas em situação de rua para comunidades terapêuticas. Conforme o balanço apresentado pelo militar, 138 pessoas já tinham sido encaminhadas. O trabalho inclui outras medidas, como grupos de WhatsApp com comerciantes.

Clique para comentar

Envie seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 × 2 =

banner-oab-outubro-2026

banner-oab-outubro-2026