Goiás, 30 de outubro de 2026
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Política

Prefeita de Porangatu culpa Lula após gestante perder o bebê

Vídeo mostra Vanusa Valadares criticando a formação médica durante visita a paciente em Porangatu. Prefeitura diz que vai investigar o atendimento.

Foto: Mais Goiás

Uma visita da prefeita de Porangatu, Vanusa Valadares (UB), a uma unidade de saúde terminou em críticas ao governo federal após uma gestante relatar a perda do bebê e pedir ajuda para ser transferida. Em vídeo encaminhado ao Mais Goiás, a mulher relata dores intensas e questiona o atendimento recebido antes de ser internada.

A gravação foi feita no sábado (24/10). Durante a conversa, a prefeita atribuiu ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pelo que considerou problemas na formação dos médicos e defendeu o fechamento de faculdades de medicina no Brasil.

A paciente afirmou que havia procurado atendimento anteriormente e recebido diagnóstico de anemia, mas, segundo seu relato, não recebeu medicamentos para tratar essa condição nem a infecção urinária que teria sido identificada depois.

Exames e transferência após a perda gestacional

Segundo a versão apresentada pela Prefeitura de Porangatu, a primeira consulta ocorreu em 13 de outubro. Na ocasião, o exame de urina não apontou infecção urinária.

A paciente retornou à unidade no dia 19, quando um novo exame identificou a infecção. A administração municipal informou que o tratamento foi iniciado e que houve internação.

Durante a assistência, um ultrassom transvaginal constatou a ausência de batimentos cardíacos fetais, confirmando a perda gestacional. A mulher permaneceu sob cuidados médicos, com quadro clínico descrito pela prefeitura como estável, enquanto aguardava uma vaga para transferência.

O encaminhamento ocorreu em 25 de outubro, para o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, onde a paciente daria continuidade ao atendimento especializado.

No vídeo, a mulher pede ajuda para conseguir a transferência e relata que não suportava mais as dores. Ao ouvir a história, Vanusa perguntou sobre o profissional responsável pelo atendimento anterior e afirmou que procuraria identificá-lo para que houvesse consequências.

Prefeita critica cursos de medicina e faz apelo eleitoral

Durante a visita, Vanusa declarou que as imagens deveriam circular pelo país para expor as dificuldades enfrentadas por moradores do interior na área da saúde. Ela também criticou a criação de novos cursos de medicina e questionou a preparação de profissionais que ingressam no mercado de trabalho.

Em outro momento, a prefeita associou o caso à atuação do governo federal e pediu à paciente que não votasse novamente em Lula. As declarações ocorreram às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, conforme o contexto informado na reportagem original.

A prefeitura justificou a manifestação como um desabafo diante do sofrimento relatado pela paciente e afirmou que a prefeita estava sensibilizada com a situação.

Prefeitura cita avaliação nacional dos cursos

Na resposta encaminhada sobre o episódio, a administração municipal mencionou o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025. Os resultados, divulgados pelo Ministério da Educação em janeiro de 2026, apontaram que 107 dos 351 cursos avaliados receberam conceitos 1 e 2, classificados como insatisfatórios.

A gestão argumentou que a qualidade da formação médica é tema de debate nacional e defendeu o acompanhamento e o aperfeiçoamento contínuo do ensino superior.

A prefeitura também afirmou que acompanha as demandas da rede municipal e busca identificar problemas e cobrar soluções. Sobre o caso específico, informou que analisará os registros médicos e as circunstâncias dos atendimentos para esclarecer os fatos e verificar se houve irregularidades.

Caso sejam identificadas falhas, a administração declarou que adotará as providências cabíveis, observando os critérios técnicos, o sigilo e os direitos das pessoas envolvidas.

Nota completa da Prefeitura de Porangatu

A Prefeitura de Porangatu esclarece que as declarações da prefeita Vanusa Valadares foram feitas durante a escuta de uma paciente que vivenciava um momento de profunda dor, após a perda do bebê ainda durante a gestação. Naquela ocasião, a prefeita se manifestou não apenas como gestora pública, mas também como mulher e mãe, sensibilizada pelo sofrimento relatado e pela necessidade de garantir à população um atendimento de saúde digno, humanizado e resolutivo.

A preocupação com a qualidade da formação médica não se restringe à gestão municipal, integrando um debate nacional conduzido também pelos órgãos responsáveis pela avaliação do ensino superior. Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025, divulgados pelo Ministério da Educação em janeiro de 2026, apontaram que, dos 351 cursos avaliados, 107 obtiveram conceitos 1 e 2, considerados insatisfatórios. Esses indicadores reforçam a importância do acompanhamento, da avaliação e do aprimoramento contínuo da formação médica no Brasil.

A prefeita acompanha pessoalmente as demandas da população na rede municipal de saúde e tem buscado identificar dificuldades, cobrar soluções e promover melhorias contínuas no atendimento. Sua atuação parte do entendimento de que a gestão pública tem o dever de ouvir os cidadãos, acolher suas necessidades e buscar respostas concretas, especialmente nos momentos de maior vulnerabilidade.

Quanto ao atendimento prestado à paciente, a Prefeitura informa que a situação deverá ser apurada com responsabilidade, mediante análise dos registros assistenciais e das circunstâncias em que ocorreram os atendimentos, a fim de esclarecer os fatos e identificar eventuais falhas, adotando as providências cabíveis, caso sejam constatadas irregularidades, respeitando-se os critérios técnicos, o sigilo das informações e os direitos dos envolvidos.

Por fim, a Prefeitura de Porangatu reitera seu respeito aos profissionais médicos que exercem suas funções com ética, competência e dedicação, sua solidariedade às famílias que enfrentam situações de sofrimento e seu compromisso permanente com a defesa da população, a qualidade dos serviços públicos e a busca por uma assistência cada vez mais humanizada, segura e eficiente.

Nota complementar da Prefeitura de Porangatu sobre o atendimento

O Governo de Porangatu esclarece que, conforme o relato do médico responsável, a paciente foi atendida na unidade de saúde no dia 13 de outubro, quando realizou exame de urina que não indicou infecção urinária. No dia 19, retornou à unidade, quando um novo exame identificou a infecção, sendo iniciado o tratamento e realizada a internação.

Durante o atendimento, foi realizado ultrassom transvaginal, que constatou a ausência de batimentos cardíacos fetais, confirmando a perda gestacional. Após os procedimentos indicados, a paciente permaneceu sob assistência da equipe de saúde, com quadro clínico estável, aguardando regulação. No dia 25 de outubro, foi transferida para o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, para continuidade do atendimento especializado.

Sobre as declarações feitas pela prefeita, o Governo esclarece que se tratou de um desabafo em um momento de preocupação diante da situação vivenciada. A manifestação ocorreu de forma pontual, e a prioridade permanece sendo a assistência à população e o esclarecimento responsável dos fatos.

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