Política
MPT recebe 1.937 denúncias de assédio eleitoral no trabalho em 2026
Quase metade das denúncias foi registrada entre os dois turnos; órgão ajuizou 59 ações civis públicas e obteve 52 liminares durante o processo eleitoral.
© Paulo Pinto/Agência Brasil
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 1.937 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho até segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições de 2026. Desse total, 946 registros foram feitos entre o primeiro e o segundo turnos.
O assédio eleitoral ocorre quando alguém usa uma posição de poder no trabalho para constranger, pressionar ou tentar influenciar a escolha política de funcionários. A prática pode envolver pressão para votar ou deixar de votar, além de exigências de apoio a determinado candidato, partido ou posicionamento político.
Durante a campanha, o MPT manteve equipes de plantão em todo o país para atender situações urgentes. Segundo o órgão, a maior parte das denúncias recebidas estava relacionada à disputa pela Presidência da República.
Ações judiciais e acordos
Ao longo do processo eleitoral, o Ministério Público do Trabalho ajuizou 59 ações civis públicas para combater o assédio eleitoral. Nessas iniciativas, foram obtidas 52 liminares, decisões provisórias destinadas a garantir o direito dos trabalhadores ao voto livre.
O órgão também firmou 53 termos de ajuste de conduta. Por meio desses acordos, empregadores se comprometeram a não interferir na escolha eleitoral de seus funcionários.
Empresário em Goiás teve iniciativa barrada
Entre os casos citados está o do empresário Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás. Durante o segundo turno, ele publicou um vídeo nas redes sociais oferecendo uma viagem com todas as despesas pagas para Caldas Novas (GO) a mil apoiadores do então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta tinha como objetivo que essas pessoas deixassem de votar.
A Justiça do Trabalho concedeu uma liminar para impedir a iniciativa, sob pena de multa de R$ 100 mil por trabalhador encontrado na situação.
Empresa na Bahia teve de liberar funcionários
Outra ocorrência envolveu a rede Total Atacado, na Bahia. Após denúncias de que funcionários de lojas em Salvador e Lauro de Freitas não haviam sido liberados para votar no primeiro turno, a empresa foi obrigada por liminar a estabelecer uma escala que garantisse o exercício do direito ao voto.
Os casos integram o conjunto de denúncias que levaram o MPT a atuar judicialmente durante as eleições. O órgão busca assegurar que trabalhadores possam exercer sua escolha política sem sofrer pressão ou restrições no ambiente profissional.































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