Goiás, 21 de setembro de 2026
Conecte-se conosco

Diversidade

Burnout dispara entre trabalhadores afastados no Brasil

Número de registros saltou de 1.760 para 6.985 em dois anos, aponta levantamento com dados do INSS

Os afastamentos de trabalhadores por problemas relacionados ao esgotamento profissional cresceram de forma acelerada no Brasil. Entre 2023 e 2025, os registros passaram de 1.760 para 6.985, uma alta de 296%, conforme dados do INSS compilados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt).

A estatística não contempla todos os casos de burnout. O levantamento considera somente afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora trabalhadores que permaneceram afastados por períodos menores ou que não informaram sua condição de saúde ao empregador.

Para especialistas, o cenário reforça a necessidade de olhar para as condições oferecidas pelas empresas. A pressão profissional pode ser agravada pela hiperconectividade, pela ausência de descanso adequado, pelo excesso de estímulos e por problemas na organização do trabalho.

Carga elevada, controle excessivo, cobranças inadequadas, falta de autonomia, ausência de recompensas, equipes reduzidas e dificuldade de desconectar das atividades profissionais estão entre os fatores associados ao adoecimento.

Mensagens fora do expediente são realidade em empresas

A tecnologia facilitou a continuidade das demandas profissionais para além da jornada. Celulares e outros dispositivos permitem que trabalhadores recebam mensagens e solicitações relacionadas ao emprego mesmo durante os períodos destinados ao descanso.

Levantamento da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), feito com representantes de empresas que somam 300 mil funcionários, mostrou que 89% delas não têm diretrizes para impedir mensagens fora do horário de trabalho.

A pesquisa também apontou uma lacuna na prevenção: 65% das organizações participantes não possuem programas voltados à prevenção de riscos para a saúde mental.

Sintomas podem afetar desempenho e rotina

O diagnóstico de burnout é clínico e não depende de um exame específico. De acordo com o presidente da Anamt, Francisco Cortes Fernandes, a avaliação considera as queixas do trabalhador, os sintomas e as características do ambiente profissional.

O esgotamento pode vir acompanhado de despersonalização, quando a pessoa passa a realizar suas atividades de maneira automática, além de uma possível redução da eficácia no trabalho.

Também podem aparecer alterações no sono, dificuldade para entregar tarefas, sensação de ineficiência, tristeza, irritabilidade, desânimo e pensamentos recorrentes ligados à falta de valor.

Afastamento não resolve sozinho as causas

O tratamento do trabalhador é importante, mas especialistas destacam que a origem do problema também precisa ser investigada. Apenas afastar a pessoa ou oferecer atendimento individual pode não eliminar os fatores que provocaram ou agravaram o quadro.

O acompanhamento pode envolver terapia e atendimento psiquiátrico. No ambiente profissional, as medidas podem incluir revisão da carga de trabalho, reorganização das equipes e redução de situações geradoras de estresse.

Empresas passam a ter novas responsabilidades

Desde 26 de maio, a Norma Regulamentadora nº 1 passou a incluir fatores de risco relacionados à saúde mental. Com a mudança, as empresas precisam reconhecer e controlar situações que possam provocar sofrimento psicológico.

A lista inclui situações como assédio, pressão exagerada por metas, jornadas extensas e problemas de comunicação dentro das organizações.

Além das medidas adotadas pelas empresas, especialistas recomendam que os trabalhadores estabeleçam limites para as demandas profissionais, mantenham uma rotina adequada de sono e reservem tempo para atividades físicas, lazer, familiares e amigos.

Clique para comentar

Envie seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quinze + 15 =