Goiás, 26 de julho de 2026
Conecte-se conosco

Diversidade

Ministério Público processa empresas por escaneamento de íris

Promotoria acusa empresas de práticas abusivas e questiona coleta de dados biométricos com oferta de recompensas em São Paulo

Canva

Mais de 400 mil pessoas podem ter tido dados biométricos da íris coletados em São Paulo em uma operação que agora é alvo de uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

A estimativa consta no relatório final da CPI da Íris, conduzida pela Câmara Municipal da capital para apurar a atuação do Projeto World ID. De acordo com o levantamento, participantes receberam recompensas que variavam de R$ 300 a R$ 700 para realizar o escaneamento.

Com base nas conclusões da comissão, o MPSP acionou judicialmente a Tools for Humanity Corporation e a Amazon AWS Serviços Brasil Ltda. nesta segunda-feira (21).

A promotoria considera que a coleta pode ter envolvido práticas abusivas e questiona a maneira como os consumidores foram informados sobre o uso das informações.

Justiça pode determinar suspensão de novas coletas

Entre os pedidos apresentados pela promotora de Justiça Patrícia Leitão está a interrupção de qualquer nova coleta de íris acompanhada de pagamento ou concessão de benefícios.

A medida é solicitada em caráter liminar e deverá vigorar, conforme o pedido, até a realização de uma perícia judicial.

O Ministério Público também quer garantir que as informações relacionadas aos dados já processados sejam preservadas. Para isso, solicita a manutenção de registros e metadados, além da apresentação de documentos que esclareçam como os dados são armazenados.

A ação busca ainda identificar qual empresa pertencente ao grupo Amazon é responsável pela hospedagem dessas informações.

Promotoria questiona abordagem aos consumidores

De acordo com o MPSP, os pontos de coleta estariam concentrados em regiões periféricas e em áreas de grande circulação, inclusive nas proximidades de estações de metrô e unidades do Poupatempo.

Na avaliação da promotoria, a oferta de compensações financeiras teria atingido especialmente consumidores em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

O Ministério Público sustenta que também pode ter ocorrido falha na comunicação sobre elementos importantes do projeto. Entre os pontos questionados estão a finalidade econômica da iniciativa, os riscos do tratamento de informações biométricas e a eventual transferência dos dados para fora do país.

A possibilidade de armazenamento em servidores da Amazon Web Services também é mencionada na ação.

O MPSP afirma que os benefícios teriam continuado a ser disponibilizados por meio do aplicativo World App mesmo depois de a Autoridade Nacional de Proteção de Dados determinar a suspensão da oferta de criptomoedas ou de outros tipos de compensação pela coleta da íris.

Pedido de indenização chega a R$ 240 milhões

Caso os pedidos sejam acolhidos, as empresas poderão ser proibidas definitivamente de realizar novas coletas de dados biométricos da íris mediante contrapartidas financeiras.

O Ministério Público também pede que os dados já obtidos sejam apagados de maneira irreversível.

A ação inclui ainda um pedido de indenização de, no mínimo, R$ 240 milhões pelos danos morais causados à coletividade, além da reparação de possíveis danos individuais sofridos pelos consumidores.

Para o MPSP, as condutas investigadas podem caracterizar publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade dos consumidores e problemas relacionados ao consentimento.

Clique para comentar

Envie seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

18 − 10 =