Diversidade
Mais de 32 mil brasileiros já registraram intenção de doar órgãos
Autorização eletrônica permite formalizar decisão pela internet; mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante no Brasil
Foto: Canva
Mais de 32 mil brasileiros já utilizaram cartórios de notas para registrar formalmente a intenção de doar órgãos desde a criação da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), em 2024.
O serviço, que pode ser realizado gratuitamente pela internet, ganha destaque durante o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos. Atualmente, mais de 49 mil pessoas estão na fila por um transplante no país.
Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), o interessado deve acessar a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preencher os dados e escolher um cartório de notas. Depois, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar a identidade e a intenção de doar.
A autorização é assinada eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.
O cidadão também pode definir quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar. A autorização pode ser revogada a qualquer momento, sem necessidade de comparecimento presencial ao cartório.
São Paulo lidera registros
Dados dos Cartórios de Notas apontam que 32.587 solicitações de Aedo foram feitas no Brasil desde o lançamento do serviço. Foram 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e 5.042 em 2026, conforme os dados mais recentes da plataforma.
São Paulo aparece na liderança, com 9.399 solicitações. Na sequência estão Paraná, com 3.818; Rio de Janeiro, com 2.930; Minas Gerais, com 2.172; e Rio Grande do Sul, com 2.012.
A Aedo registra solicitações em todas as unidades da Federação.
A quantidade de manifestações ocorre em um cenário de alta demanda por transplantes. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados em setembro, mais de 49 mil pessoas aguardam por um órgão no país. Desse total, cerca de 45 mil esperam por um rim.
A fila também inclui 37.719 pessoas à espera de uma córnea, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O número representa aumento de 15% em relação a dezembro de 2025.
Família ainda precisa autorizar doação
Mesmo que uma pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, a retirada de órgãos após a morte depende da autorização da família no Brasil.
A taxa média de recusa familiar está em torno de 45%. Entre os fatores apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador e dúvidas ou receios relacionados ao procedimento.
A Aedo permite deixar a decisão formalmente registrada, mas a conversa com os familiares continua sendo considerada importante para que eles conheçam previamente a vontade do potencial doador.
O Dia Nacional de Doação de Órgãos é celebrado em 27 de setembro. A data busca ampliar a discussão sobre o tema e estimular as pessoas a comunicarem aos familiares a decisão de serem doadoras.



































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