Política
Havan e Luciano Hang são processados por assédio eleitoral em Goiás
MPT pede R$ 30 milhões e quer retratação de Hang após fala sobre escala 6×1 em Caldas Novas
A Havan e o empresário Luciano Hang são alvo de uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por suposto assédio eleitoral. O processo tramita na Justiça do Trabalho, em Goiânia, e inclui um pedido de R$ 30 milhões por dano moral coletivo.
O caso tem como ponto central uma manifestação feita por Hang no dia 29 de agosto, durante um evento com funcionários recém-contratados da Havan em Caldas Novas. A fala foi registrada em vídeo e divulgada nas redes sociais.
Durante o encontro, o empresário se posicionou contra o fim da escala 6×1 e afirmou que uma eventual mudança poderia afetar os empregos dos trabalhadores. Na avaliação do MPT apresentada no processo, a manifestação teria estabelecido uma relação entre a escolha política dos empregados nas eleições e possíveis impactos sobre seus empregos e rendimentos.
O Ministério Público afirma que não pretende impedir Hang de se manifestar sobre a proposta de alteração da jornada de trabalho. O questionamento feito na ação é sobre a manifestação política realizada diante de trabalhadores da empresa.
Para o MPT, a posição de um dirigente empresarial pode assumir peso diferente quando apresentada diretamente a empregados, podendo ser compreendida como orientação ou pressão sobre suas escolhas eleitorais.
Pedidos incluem retratação
O processo apresentado pelo Ministério Público não se limita à indenização coletiva. O órgão também pede que os trabalhadores supostamente atingidos recebam uma indenização individual equivalente a pelo menos 20 vezes o último salário.
Outro pedido é para que Luciano Hang publique um vídeo de retratação no prazo de 48 horas.
A Havan também poderá ser obrigada, caso os pedidos sejam acolhidos, a garantir que os empregados possam votar nos dias 4 e 25 de outubro sem desconto na remuneração.
O MPT ainda quer impedir novas manifestações políticas em lojas e eventos da rede e pede a manutenção de um programa permanente de neutralidade político-eleitoral.
Histórico de ações contra a empresa
O episódio de Goiás não é o primeiro caso envolvendo Havan e Luciano Hang e o tema de assédio eleitoral. O MPT já havia ajuizado ação contra os dois em 2018 por fatos relacionados àquele período eleitoral.
Em 2025, um acordo encerrou definitivamente o processo relacionado ao caso de 2018. Na ocasião, a Havan concordou em manter a abstenção de manifestações eleitorais, pesquisas e atos de cunho eleitoral dentro de suas unidades dirigidos aos funcionários.
No novo processo, o MPT sustenta que a manifestação ocorrida em Caldas Novas justifica a adoção das medidas solicitadas à Justiça.
Os pedidos, incluindo as indenizações e as obrigações impostas à empresa e ao empresário, ainda serão analisados no processo trabalhista.


































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