Goiânia
Falta de imóveis do Minha Casa, Minha Vida desafia famílias em Goiânia
Capital registra avanço nas vendas, mas unidades disponíveis diminuem. Setor aponta entraves na aprovação de projetos e demanda por moradias populares.
Comprar o primeiro imóvel continua sendo um desafio para parte das famílias de renda intermediária em Goiânia. Mesmo com o aumento da oferta de novos empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o número de unidades disponíveis diminuiu na capital, enquanto as vendas avançaram no primeiro semestre de 2026.
No período, foram vendidas 2.944 unidades vinculadas ao programa, crescimento de 83,4% na comparação com os seis primeiros meses do ano passado. Os lançamentos também aumentaram, alcançando 2.395 imóveis, uma alta de 77,1%. Ainda assim, o estoque recuou 33,2% em relação ao encerramento de 2025.
A situação afeta principalmente quem se enquadra nas Faixas 2 e 3 do programa federal. São famílias com renda mensal de R$ 3.200,01 a R$ 9.600 que podem buscar financiamento habitacional, mas encontram poucas opções de imóveis compatíveis com as condições do MCMV.
Mais de 73 mil famílias enfrentam déficit habitacional na região
A dificuldade de acesso à moradia em Goiânia faz parte de um problema mais amplo. Levantamento da Fundação João Pinheiro aponta que o Brasil tem aproximadamente 5,98 milhões de moradias em déficit habitacional. Entre os principais componentes está o peso do aluguel no orçamento das famílias.
Em Goiás, o Instituto Mauro Borges identificou mais de 212 mil famílias em situação de déficit habitacional em 2023. A Região Metropolitana de Goiânia concentrava mais de 73 mil delas, demonstrando a dimensão da demanda habitacional na área.
Apesar da movimentação do mercado, os imóveis do Minha Casa, Minha Vida correspondem atualmente a apenas 17% do estoque imobiliário da capital. Para Credson Batista, diretor de Pesquisas e Estatísticas da Ademi-GO, a redução das unidades disponíveis, mesmo com o crescimento dos lançamentos, revela que a procura supera a capacidade de reposição do mercado.
O executivo observa ainda que o programa tem participação maior em mercados consolidados, como São Paulo, onde chega a representar cerca de metade das vendas residenciais.
Orçamento recorde depende de projetos aprovados
O financiamento habitacional recebeu um volume recorde de recursos em 2026. Segundo Felipe Melazzo, presidente da Ademi-GO, o Governo Federal disponibilizou cerca de R$ 180 bilhões para a habitação social neste ano.
A distribuição dos recursos considera as diferentes regiões do país, mas os valores precisam ser utilizados dentro do período previsto. Quando não existem projetos aptos a contratar os financiamentos em determinada região, os recursos não utilizados podem ser destinados a outros estados.
Por isso, Melazzo defende que Goiânia amplie os lançamentos e aproveite as condições favoráveis para a construção de moradias. A preocupação é que a demora na liberação de empreendimentos impeça o mercado local de atender à demanda existente.
A incorporadora Plano&Plano iniciou operações em Goiás com foco justamente nas Faixas 2 e 3. Para Fábio Lorensetti, diretor de operações da empresa no estado, há famílias que poderiam financiar um imóvel, mas desconhecem as possibilidades oferecidas pelo programa ou acreditam que não atendem aos requisitos.
O executivo também chama atenção para as dúvidas sobre comprovação de renda, financiamento e benefícios. Em alguns casos, segundo ele, as parcelas podem se aproximar ou até ficar abaixo do valor pago mensalmente pelo aluguel.
Renda define enquadramento no programa
As regras atualizadas do Minha Casa, Minha Vida estabelecem renda mensal de R$ 3.200,01 a R$ 5 mil para a Faixa 2. Já a Faixa 3 atende famílias que recebem de R$ 5.000,01 a R$ 9.600 por mês.
A ampliação dos limites procura incluir pessoas que não se enquadravam nas condições de programas destinados às faixas de renda mais baixas, mas que também enfrentavam obstáculos para obter crédito no mercado imobiliário convencional.
Na avaliação do setor, o aumento da oferta de imóveis adequados a esse público pode ampliar o acesso à casa própria, reduzir a pressão sobre os aluguéis e contribuir para enfrentar o déficit habitacional.
Prefeitura é apontada como entrave para novos empreendimentos
A demora na aprovação de projetos pela Prefeitura de Goiânia aparece entre os principais obstáculos à expansão da oferta de moradias.
Felipe Melazzo avalia que a manutenção do ritmo atual de vendas sem reposição suficiente de unidades pode provocar uma escassez ainda maior de imóveis, pressionar os preços e manter empreendimentos sem avançar.
O dirigente também ressalta que os atrasos têm impacto sobre famílias que aguardam a oportunidade de comprar a casa própria, mesmo em um cenário de disponibilidade de recursos federais para financiamento habitacional. Para a Ademi-GO, acelerar o licenciamento dos projetos é essencial para transformar a demanda existente em novos empreendimentos.



































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