Goiás, 25 de setembro de 2026
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Política

Violência política contra mulheres dispara e chega a 177 processos em 2026

TSE e MPF lançaram campanha para conscientizar sobre ameaças, ataques e outras formas de violência contra mulheres na política.

Foto: Freepick

A violência política de gênero ganhou novo alerta no ano eleitoral de 2026. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que 177 processos relacionados ao tema já foram encaminhados à Justiça Eleitoral até setembro, contra 15 registrados em 2022.

O avanço dos casos ocorre em um cenário no qual mulheres que participam da política podem ser alvo de diferentes formas de violência, incluindo ameaças, perseguições, ataques à honra, constrangimentos e agressões físicas.

O Ministério Público Federal (MPF) também acompanha centenas de ocorrências relacionadas à violência política de gênero. A instituição mantém um grupo de trabalho dedicado à prevenção e ao combate desse tipo de crime.

Campanha alerta para violência contra mulheres

Diante desse cenário, TSE e MPF lançaram nesta terça-feira (22) a campanha Política é Substantivo Feminino. A iniciativa busca explicar como a violência política de gênero pode ocorrer e orientar a sociedade sobre formas de identificação e denúncia.

A campanha integra uma série de medidas apresentadas durante o evento “Violência Política TEM Gênero”, realizado na sede do TSE, em Brasília. Também foi firmado um protocolo entre a Justiça Eleitoral e a Procuradoria-Geral Eleitoral para ampliar ações de prevenção, enfrentamento e monitoramento dos casos.

Segundo o MPF, a violência política de gênero pode ser física, moral, psicológica, econômica, simbólica ou sexual. A legislação brasileira considera crime condutas que tenham como objetivo impedir, dificultar ou restringir os direitos políticos das mulheres.

Mulheres negras são atingidas de forma desigual

As entidades que participaram do lançamento também chamaram atenção para a relação entre violência política, gênero e raça.

Segundo levantamento citado na campanha, mulheres negras estão entre as principais vítimas desse tipo de violência. A análise mencionada no material aponta que 87% das mulheres atingidas nos casos estudados entre 2021 e 2025 eram negras.

Os ataques podem incluir ameaças de morte, violência sexual, exposição de dados pessoais e de familiares, racismo, perseguição, intimidação e agressões físicas.

Participação feminina ainda é baixa

A violência política ocorre em um contexto de baixa presença feminina nos espaços de poder. Dados apresentados pelas instituições mostram que mulheres ainda representam uma parcela minoritária do Parlamento brasileiro e que centenas de municípios não possuem nenhuma mulher em cargo eletivo.

Para o Ministério Público Eleitoral, combater a violência é uma das medidas necessárias para garantir que mulheres possam participar da vida política sem sofrer intimidações ou ataques relacionados ao gênero.

A campanha Política é Substantivo Feminino disponibiliza informações sobre como reconhecer situações de violência política de gênero e os canais disponíveis para denúncia.

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